Operação contra agiotagem cumpre mandados no Tocantins e investiga grupo que movimentou R$ 10 milhões
11 setembro 2026 às 13h56

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Uma operação da Polícia Civil do Distrito Federal contra um grupo suspeito de atuar com agiotagem, extorsão e lavagem de dinheiro também teve desdobramentos no Tocantins. Ao todo, foram cumpridos 47 mandados judiciais nos três estados, incluindo ordens de prisão, busca e apreensão e bloqueio de valores.
Segundo as investigações, o grupo emprestava dinheiro com juros de até 20% ao mês e recorria a ameaças e cobranças intimidatórias quando as vítimas não conseguiam quitar as dívidas. A organização teria movimentado aproximadamente R$ 10 milhões em oito meses.
No total, a Justiça autorizou 12 prisões preventivas, 18 mandados de busca e apreensão e 17 ordens de bloqueio financeiro. Uma das pessoas procuradas ainda não havia sido localizada.
A investigação aponta que a organização mantinha atuação no Distrito Federal, em Goiás e no Tocantins. Para movimentar os valores e dificultar o rastreamento do dinheiro, os suspeitos utilizariam contas de familiares e empresas.
Ameaças eram usadas para cobrar dívidas
De acordo com a Polícia Civil, vítimas eram pressionadas de forma ostensiva para pagar os empréstimos. Áudios obtidos pelos investigadores mostram duas mulheres fazendo ameaças durante as cobranças.
Em uma das gravações, uma delas afirma que iria “encher a sua cara de bala”. Em outro momento, uma suspeita diz que estava esperando a vítima do lado de fora.
A investigação também apreendeu armas de fogo, munições, celulares, dinheiro, documentos, cheques e veículos de luxo. Entre os presos está um sargento reformado da Polícia Militar de Goiás, apontado como integrante do esquema e suspeito de utilizar armas para intimidar devedores.
Investigação começou após comerciante procurar a polícia
O caso começou a ser investigado depois que um comerciante da Feira dos Goianos, em Taguatinga, no Distrito Federal, contraiu um empréstimo e passou a ter dificuldades para pagar a dívida. Conforme a apuração, familiares dele também começaram a receber cobranças e ameaças.
A polícia afirma que a investigação identificou uma estrutura organizada para concessão de empréstimos, cobrança das dívidas e movimentação dos recursos obtidos.
Os investigados podem responder por extorsão, organização criminosa armada e lavagem de dinheiro, entre outros crimes que ainda poderão ser definidos ao longo da investigação.
A Polícia Civil orienta que possíveis vítimas de agiotagem não apaguem mensagens, áudios, comprovantes de pagamento ou outros registros das cobranças e procurem as autoridades para registrar a ocorrência.
No Tocantins, a investigação ainda deve esclarecer a participação e a função dos alvos alcançados pelas medidas judiciais.
