Operação Overclean, que prendeu dois secretários do Tocantins, chega à nona fase
13 janeiro 2026 às 14h44

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A Operação Overclean, que já levou à prisão do ex-secretário estadual de Parcerias e Investimentos, Claudinei Aparecido Quaresemin, e do ex-secretário-executivo da Educação do Tocantins, Éder Martins Fernandes, chegou à nona fase, nesta terça-feira, 13, com o cumprimento de mandados de busca no apartamento funcional do deputado federal Félix Mendonça (PDT-BA), em Brasília.
Deflagrada em dezembro de 2024, a operação apura um esquema de desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares e convênios federais, com foco em contratos do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) e de outros órgãos ligados ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional. Segundo a Polícia Federal, o grupo investigado teria movimentado cerca de R$ 1,4 bilhão.
O Tocantins entrou de forma direta no centro da investigação durante a prisão de Claudinei Quaresemin, ex-secretário extraordinário de Parcerias e Investimentos do Tocantins, apontado como um dos articuladores do esquema investigado. Ele é sobrinho do ex-governador Mauro Carlesse e foi preso em dezembro de 2024.
Segundo as investigações, Quaresemin seria operador do esquema no Tocantins e teria recebido mais de R$ 805 mil em transferências ilícitas. A Justiça Federal indica que ele teria beneficiado a empresa Larclean em licitações da Secretaria de Educação (Seduc) e da Secretaria de Administração (Secad), utilizando empresas interpostas para movimentar os valores desviados.
As apurações apontam ainda que Claudinei teria coordenado o esquema no estado, incluindo a articulação de propinas a servidores, o que levou ao bloqueio de seus bens e valores. Em fevereiro de 2025 ele conseguiu liberdade após ter habeas corpus concedido pela Justiça.
Já em outubro do ano passado a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em Palmas e Gurupi. Na ocasião, Éder Martins Fernandes e o servidor Danilo Pinto da Silva foram presos em flagrante em Palmas, suspeitos de obstrução da Justiça, após, segundo a PF, tentarem monitorar ações da polícia durante o cumprimento dos mandados. Quaresemin também foi alvo de buscas em Gurupi, mas não foi preso.
Posteriormente, o Supremo Tribunal Federal (STF) revogou as prisões preventivas, substituindo-as por medidas cautelares, como proibição de contato com outros investigados e restrições de deslocamento.
Dinheiro escondido e métodos do esquema
Ao longo das nove fases da Overclean, a Polícia Federal encontrou dinheiro em situações consideradas emblemáticas pelos investigadores. Na primeira fase, um dos alvos teria arremessado dinheiro pela janela durante a chegada dos agentes. Em outras etapas, valores foram localizados em gavetas de armários, escritórios e escondidos dentro de um par de botas.
Segundo a PF, o uso recorrente de dinheiro em espécie seria uma estratégia para dificultar o rastreamento dos recursos desviados e ocultar o produto dos crimes, que incluem organização criminosa, corrupção, fraude em licitações e lavagem de dinheiro.
Deputados, prefeitos e foro no STF
A investigação já atingiu prefeitos, ex-prefeitos, deputados federais e servidores públicos em diversos estados. Por envolver parlamentares com foro privilegiado, o inquérito tramita no Supremo Tribunal Federal, sob relatoria do ministro Kassio Nunes Marques.
Além de Félix Mendonça, já foram citados nas apurações parentes e aliados de outros deputados federais, com afastamentos de prefeitos e bloqueio de bens ao longo das fases da operação.
Na nona fase, o STF determinou ainda o bloqueio de R$ 24 milhões em contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas investigadas.
