Operação prende servidores do BRB suspeitos de aplicar fraude milionária contra aposentados
23 junho 2026 às 08h32

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A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou, nesta terça-feira, 23 de junho, uma operação contra um esquema de descontos irregulares em contas de aposentados do Banco de Brasília (BRB), também responsável pela folha de pagamento dos servidores estaduais do Tocantins. Seis pessoas foram presas, entre elas três servidores da instituição financeira suspeitos de participar diretamente das fraudes, que teriam causado prejuízo estimado em R$ 5 milhões.
Segundo as investigações, cerca de 3,5 mil correntistas foram afetados pelos descontos realizados sem autorização. Os mandados de prisão foram cumpridos no Distrito Federal e em Minas Gerais.
De acordo com a Coordenação de Repressão aos Crimes Contra o Consumidor, a Propriedade Imaterial e a Fraudes (Corf), responsável pela operação, os investigados utilizavam um método semelhante ao identificado em fraudes contra aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), alvo de investigações da Polícia Federal nos últimos anos.
As apurações apontam que os suspeitos realizavam contatos telefônicos com aposentados e apresentavam registros falsificados das conversas para simular a autorização dos descontos. Em seguida, associações supostamente criadas apenas para viabilizar o esquema recebiam os valores debitados das contas das vítimas.
A polícia estima que as irregularidades tenham começado em 2024 e se prolongado por pelo menos dois anos. Os investigadores apuram a participação de outros envolvidos e buscam identificar o destino dos recursos desviados.
Semelhança com o caso do INSS
O modelo investigado pela PCDF guarda semelhanças com o esquema de descontos associativos indevidos que atingiu aposentados e pensionistas do INSS entre 2019 e 2024. Naquele caso, entidades realizavam cobranças sem consentimento dos beneficiários, utilizando filiações questionáveis ou inexistentes para justificar os débitos.
A dimensão nacional do escândalo levou à abertura de investigações pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU), além de provocar mudanças nas regras para autorização de descontos em benefícios previdenciários.
BRB já havia sido alvo de outra investigação
A nova operação ocorre poucos dias após outra ação envolvendo o Banco de Brasília. Na última sexta-feira, 19 de junho, uma investigação conduzida pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios cumpriu 50 mandados de busca e apreensão relacionados a supostos descontos irregulares na folha de pagamento de servidores públicos do Distrito Federal.
Entre os alvos daquela operação estavam o ex-secretário de Economia do DF, Ney Ferraz, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, que está preso em outra investigação, e Eduardo Chedid, diretor do PicPay. Na ocasião, não houve prisões.
A Polícia Civil não descarta que as diferentes apurações revelem falhas de controle em mecanismos de autorização de descontos vinculados a instituições financeiras e entidades associativas. O BRB ainda não havia se manifestado sobre a operação até a publicação desta reportagem.
