A morte de Laiane Cardoso Noleto, de 19 anos, e do padrasto dela, Ivano Vaz Cunha, de 49 anos, encontrados carbonizados dentro de uma residência em Araguaína, ganhou novos desdobramentos após a confirmação de que o homem cumpria pena sob monitoramento eletrônico por um homicídio ocorrido em 2009.

Segundo informações, Ivano foi condenado a 35 anos de prisão pela morte de uma jovem que também foi encontrada carbonizada. Após progressão de regime, ele passou a cumprir pena em liberdade monitorada e utilizava tornozeleira eletrônica desde 2024.

O caso mais recente ocorreu na quarta-feira, 3, quando equipes do Corpo de Bombeiros encontraram os corpos dentro de uma casa no setor Jardim das Flores. Testemunhas relataram ter ouvido uma explosão antes do incêndio que destruiu parte do imóvel.

Segundo informações da Polícia Militar, o corpo de Laiane foi encontrado sob um guarda-roupa dentro do quarto. Já Ivano estava sobre os restos de uma cama consumida pelo fogo. As vítimas estavam sem roupas na parte inferior do corpo. No local também foi apreendido um galão com vestígios de gasolina.

Monitoramento eletrônico

Após a repercussão do caso, a Secretaria de Estado da Cidadania e Justiça (Seciju) confirmou que Ivano estava regularmente submetido ao monitoramento eletrônico por determinação judicial.

De acordo com a pasta, ele havia obtido autorização para exercer trabalho externo na área de vendas, podendo se deslocar por todo o território tocantinense para atividades profissionais. Entre as condições impostas pela Justiça estavam o recolhimento domiciliar no período noturno e a comunicação prévia de viagens para fora do estado.

A secretaria informou ainda que eventuais violações ou inconsistências registradas pelo sistema de monitoramento eram comunicadas imediatamente ao Poder Judiciário, responsável por decidir sobre aplicação de sanções, perda de benefícios ou eventual retorno ao regime fechado.

Investigação

O incêndio é investigado pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Araguaína.

Segundo a Secretaria da Segurança Pública, a apuração ainda está em fase inicial e, neste momento, não há elementos técnicos suficientes para confirmar a dinâmica dos fatos nem apontar uma linha de investigação conclusiva.

Os corpos foram encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML), onde passaram por exames periciais. Os laudos devem auxiliar os investigadores a esclarecer as circunstâncias das mortes.