Uma invasão ao sistema nacional de notificações de desastres da Defesa Civil Alerta resultou no disparo de mensagens falsas para celulares em diferentes regiões do país entre a noite de sexta-feira, 19, e a madrugada deste sábado, 20, informou a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, vinculada ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional.

Segundo a pasta, a principal linha de investigação aponta para um ataque hacker coordenado, e o caso já foi comunicado à Polícia Federal, que apura a autoria e a extensão da ação. A plataforma de envios do sistema Defesa Civil Alerta foi retirada do ar preventivamente, e o órgão informou que trabalha para restabelecer o serviço “quando todas as condições de segurança forem restabelecidas”.

Durante a invasão, foram emitidas dez notificações diferentes. “Foram nove mensagens emitidas pelo Cell Broadcast [sistema implantado em 2025] e uma pelo sistema SMS [sistema utilizado desde 2014 e substituído no ano passado]”, afirmou o secretário nacional de Proteção e Defesa Civil, Wolnei Wolff.

As mensagens começaram a ser disparadas por volta de 1h30 desta madrugada, com notificação sonora enviada aos celulares na categoria de “alerta extremo”, normalmente reservada para situações de desastre iminente. Além do alarme, o texto continha apenas a palavra “misantropia” – termo que significa aversão ou ódio à humanidade.

O sistema de alerta é utilizado para o envio de mensagens sobre desastres naturais e eventos climáticos extremos em áreas de risco, como alagamentos e outras ocorrências que exigem comunicação imediata à população. Em setembro do ano passado, foram realizados testes durante a implementação da tecnologia.

Para receber os alertas, não é necessário cadastro prévio. As mensagens são enviadas conforme a cobertura de sinal em celulares compatíveis com redes 4G e 5G. O “alerta extremo” é considerado o nível mais grave e pode soar mesmo com o aparelho em modo silencioso.

De acordo com apuração, os disparos ocorreram entre 23h41 e 1h23 e atingiram usuários de ao menos sete estados e o Distrito Federal, incluindo moradores de Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Campo Grande (MS), Curitiba (PR), Rio Branco (AC), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA) e São Paulo (SP). Essas cidades somam cerca de 30 milhões de pessoas. Também houve registros em outros municípios menores de São Paulo, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul.