PF, impeachment e vídeo: as polêmicas que Ksarin leva à chapa de Vicentinho
10 setembro 2026 às 19h46

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A chegada de Ksarin à campanha de Vicentinho Júnior (PSDB), oficializada nesta quinta-feira, 10, leva para o palanque do candidato ao governo um político que atravessou uma sequência de embates políticos, administrativos e judiciais desde que chegou à Prefeitura de Colinas do Tocantins. Eleito em 2020 e reeleito quatro anos depois com mais de 70% dos votos válidos, Ksarin enfrentou em 2025 uma CPI, dois pedidos de impeachment e uma disputa com a Câmara em torno das contas de sua primeira gestão. Neste ano, foi alvo de uma operação da Polícia Federal.
O episódio mais recente apareceu antes mesmo da adesão a Vicentinho. Em um vídeo que circulou nas redes sociais, Ksarin aparece durante a adesivação do carro de um apoiador e entrega a ele um pequeno objeto de papel. As imagens passaram a circular acompanhadas de suspeitas sobre uma eventual compra de voto, mas a gravação, isoladamente, não permite identificar o objeto nem comprova qualquer irregularidade.
Questionado pelo Jornal Opção Tocantins durante o evento desta quinta, Ksarin disse que entregou um santinho ao homem e negou que fosse dinheiro. “Não confunda santinho com cenzinho”, afirmou. Segundo ele, também cochichou no ouvido do apoiador para pedir voto em Vicentinho.
A adesão ocorre menos de um ano depois de Ksarin defender outro projeto eleitoral. Em outubro de 2025, em entrevista ao Jornal Opção Tocantins, ele declarou apoio a Dorinha Seabra (União Brasil) para o governo e a Carlos Gaguim (União Brasil) para o Senado. Nesta quinta, atribuiu a mudança à composição política formada em Colinas e disse que permanecer no antigo grupo havia se tornado incompatível com seus interesses políticos.
Um 2025 de crises
O período mais conturbado de sua passagem pela prefeitura ocorreu em 2025. Em fevereiro, durante uma sessão na Câmara, Ksarin dirigiu-se à vereadora Naiara Miranda (MDB) com a frase: “Tu te prepara que aqui a bala pega”. O episódio teve repercussão fora do Tocantins e levou o prefeito a publicar um vídeo no qual pediu desculpas a Naiara e às mulheres que se sentiram ofendidas. Ele sustentou que a frase havia sido uma brincadeira e negou ter ameaçado a parlamentar.
Meses depois, a relação com a Câmara entrou em nova fase. Em 13 de outubro, o Legislativo instalou uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar suspeitas de interferência da prefeitura na autonomia e no funcionamento dos conselhos municipais. O requerimento foi assinado por cinco vereadores e previa prazo de 120 dias para os trabalhos.
Na mesma época, Ksarin passou a enfrentar dois pedidos de impeachment. Um deles questionava o recebimento de R$ 144.666,66 pelo então prefeito em dezembro de 2024, em pagamentos relacionados a férias e 13º salário, inclusive valores retroativos. A outra denúncia tratava da locação de um imóvel destinado ao Conselho Tutelar que, segundo os denunciantes, recebeu pagamentos apesar de não ter sido utilizado.
Em 27 de outubro, o plenário da Câmara recebeu as duas denúncias por 10 votos a 3 e constituiu uma comissão processante. O procedimento poderia resultar na cassação do mandato.
Ksarin contestou as acusações. Sobre os R$ 144,6 mil, sustentou que os pagamentos tinham respaldo legal. O caso também foi analisado pelo Ministério Público do Tocantins, que posteriormente arquivou a apuração. O processo político-administrativo na Câmara terminou sem julgamento do mérito após o fim do prazo legal de 90 dias.
Contas sob análise
A pressão política daquele ano não ficou restrita à CPI e aos pedidos de impeachment. Em outubro, a Câmara também iniciou a análise das contas da Prefeitura de Colinas referentes a 2021, primeiro ano da gestão de Ksarin.
O Tribunal de Contas do Estado havia emitido parecer prévio pela rejeição. Entre os pontos apontados estavam despesas com contribuições patronais ao Regime Geral de Previdência Social abaixo do percentual previsto em lei, gastos com pessoal acima do limite e aplicação em educação abaixo do mínimo constitucional.
Ksarin apresentou pedido de reexame ao TCE, mas o recurso foi negado pela corte em junho de 2025. Como ocorre com contas de prefeitos, a decisão definitiva cabe ao Legislativo municipal.
Justiça Eleitoral
A campanha que levou Ksarin à reeleição em 2024 também produziu disputas judiciais. Uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral questionou o uso da cor azul em prédios, praças e outras estruturas municipais e sua associação ao slogan eleitoral “Dr. Ksarin, o Azulão do Tocantins”. A ação apontava suposto abuso de poder político e econômico.
Outro processo tratou de manifestações durante a exposição agropecuária de Colinas. Ksarin e o Sindicato Rural foram multados pela Justiça Eleitoral por propaganda irregular, além de receberem sanção por descumprimento de medida cautelar.
Os processos não impediram sua vitória. Depois de chegar à prefeitura nas eleições de 2020, Ksarin ampliou sua votação quatro anos depois e foi reeleito com mais de 70% dos votos válidos.
Da Polícia Federal ao novo palanque
O conflito iniciado com Naiara Miranda voltou ao centro das atenções em março deste ano. Ksarin foi um dos alvos da Operação Cortina Digital, deflagrada pela Polícia Federal para investigar suspeitas de violência política de gênero contra a vereadora.
A operação cumpriu três mandados de busca e apreensão determinados pelo Tribunal Regional Eleitoral do Tocantins. A investigação também apura suspeitas relacionadas ao uso de páginas em redes sociais para ataques contra a parlamentar e pessoas ligadas a ela.
Ksarin negou irregularidades e afirmou, depois da operação, que os policiais não encontraram nada irregular em sua residência.
É depois dessa sequência que ele chega à campanha de Vicentinho. A adesão oferece ao candidato ao governo um aliado que demonstrou força eleitoral em Colinas nas duas últimas eleições municipais, mas também incorpora ao grupo um político que passou boa parte dos últimos dois anos entre confrontos com adversários, investigações e processos políticos.
A troca de palanque acrescenta ainda outro componente. Ksarin deixa o grupo de Dorinha depois de ter declarado publicamente apoio à candidata e passa a pedir votos para seu principal adversário. No primeiro evento ao lado de Vicentinho, chegou com a tarefa de explicar não só a mudança política, mas o vídeo que voltou a colocar seu nome no centro de uma controvérsia.
