PF investiga esquema de extração e venda ilegal de minério que movimentou cerca de R$ 400 milhões no Brasil e na Venezuela
19 fevereiro 2026 às 15h25

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Uma ação conduzida pela Polícia Federal foi deflagrada nesta quinta-feira, 19, para apurar a atuação de uma organização suspeita de extrair e comercializar ilegalmente cassiterita — o chamado “ouro negro” — em garimpos clandestinos localizados no Amapá, em Roraima e na Venezuela. Investigadores estimam que o grupo tenha movimentado aproximadamente R$ 400 milhões em minério de origem ilícita inserido no mercado formal.
No âmbito da Operação Trono de Ferro, foram cumpridos 35 mandados judiciais em diferentes cidades do país, sendo 9 de prisão preventiva e 26 de busca e apreensão. As ordens foram executadas em Macapá (AP), Boa Vista (RR), Manaus (AM), São Paulo (SP), São João del-Rei (MG) e Joinville (SC).
Por determinação da Justiça Federal, houve o bloqueio de aproximadamente R$ 405 milhões em bens e ativos pertencentes a empresas e pessoas físicas investigadas. A medida tem como finalidade interromper o fluxo financeiro do esquema e possibilitar o ressarcimento aos cofres públicos.
Segundo a PF, o grupo utilizava permissões de lavra garimpeira fraudulentas, emissão de notas fiscais falsificadas e empresas de fachada para “esquentar” cassiterita extraída de forma clandestina. O procedimento permitia ocultar a origem do minério e viabilizar sua comercialização como se fosse de procedência legal, tanto no mercado interno quanto no externo.
A cassiterita é empregada principalmente na produção de estanho, insumo usado em ligas metálicas e na indústria eletrônica, o que amplia o interesse pelo minério em áreas de fronteira, como Roraima, e também em regiões de exploração na Venezuela.
Crimes investigados
Os suspeitos poderão responder por organização criminosa, lavagem de dinheiro e usurpação de bem da União, entre outros crimes previstos no Código Penal e na legislação relacionada à mineração e ao meio ambiente.
