Policiais penais são afastados em Araguatins após investigação apontar movimentação de R$ 2,6 milhões e ligação com presos
24 julho 2026 às 16h50

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A Justiça determinou o afastamento cautelar e a suspensão do exercício da função pública de dois policiais penais lotados na Unidade Penal Regional de Araguatins, no Bico do Papagaio, após pedido do Ministério Público do Tocantins (MPTO). Os servidores são investigados por suposta ligação e proximidade com integrantes de um esquema criminoso voltado à prática de estelionatos eletrônicos e lavagem de dinheiro. O Jornal Opção Tocantins tenta contato com a defesa dos citados.
A medida foi requerida pela 2ª Promotoria de Justiça de Araguatins e estabelece uma série de restrições aos investigados. Entre elas, está a proibição de acesso à Unidade Penal Regional de Araguatins e a qualquer outra unidade prisional, delegacia ou prédio administrativo ligado à Secretaria de Estado da Cidadania e Justiça (Seciju) e à Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP).
A decisão também impede que os policiais mantenham contato, de forma direta ou indireta, com outros investigados e testemunhas do processo. Além disso, foram bloqueadas imediatamente as credenciais e os acessos dos servidores aos bancos de dados e sistemas da Seciju e da SSP.
A Corregedoria-Geral do Sistema Penitenciário e a Seciju foram notificadas para cumprir o afastamento e instaurar os procedimentos disciplinares cabíveis. Caso as determinações judiciais sejam descumpridas, os investigados podem ter a prisão preventiva decretada.
Investigação envolve Operação Falsum Imperium
O afastamento ocorreu após o avanço das investigações da Operação Falsum Imperium, que apura a atuação de uma organização criminosa suspeita de envolvimento em fraudes digitais e lavagem de capitais.
Segundo o MPTO, as principais lideranças do grupo, identificadas como Diego Freitas da Silva e Thalisson Igor dos Santos, estão presas preventivamente na Unidade Penal Regional de Araguatins.
Durante a apuração, análises de materiais telemáticos e dados bancários indicaram, conforme o processo, uma suposta relação de proximidade entre os policiais penais e os detentos.
Movimentação de R$ 2,6 milhões
Um dos policiais penais investigados apresentou movimentação financeira de aproximadamente R$ 2,6 milhões nos últimos cinco anos, valor considerado incompatível com os rendimentos do cargo público, segundo os dados reunidos na investigação.
Também foram identificadas transferências bancárias feitas pelo servidor para a conta de uma das lideranças presas. Conforme o MPTO, o próprio policial teria admitido possuir amizade com o detento.
As investigações seguem em andamento. O afastamento tem caráter cautelar e não representa condenação dos servidores, que ainda poderão apresentar defesa no decorrer do processo.
