Professora Maria Santana é empossada e passa a ser a primeira mulher negra a comandar a UFT; vídeo
04 fevereiro 2026 às 21h56

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O ministro da Educação, Camilo Santana, deu posse, nesta quarta-feira, 4, à professora Maria Santana Milhomem como reitora da Universidade Federal do Tocantins (UFT). Indicada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva após ser a mais votada na consulta eleitoral, ela passa a ser a primeira mulher negra a ocupar a Reitoria da UFT e a primeira reitora negra de uma instituição federal de ensino superior no Tocantins.
Durante a cerimônia, o ministro da Educação destacou a importância do combate às desigualdades e do enfrentamento ao racismo no país. “Precisamos lutar sempre para combater o racismo nesse país, combater as desigualdades. E dizer que o lugar de mulher, e principalmente mulheres negras, é onde elas quiserem estar. Então, professora, parabéns. Eu faço questão de fazer essa homenagem à nossa querida Maria Santana.”

Em sua fala, a reitora Maria Santana relembrou a própria trajetória e atribuiu sua chegada à Reitoria ao investimento do Estado brasileiro na educação pública. Segundo ela, sua história é resultado de políticas públicas educacionais e do incentivo de outras mulheres que a antecederam. “Sou a prova do que o Estado brasileiro é capaz de realizar quando investe em seu povo. Saí do campo e cheguei à academia através do ensino público gratuito e de qualidade. Trago comigo a consciência de que eu ocupo este espaço também graças ao incentivo de muitas outras mulheres que vieram antes de mim”, declarou.
A reitora também afirmou que espera que sua trajetória sirva de referência para jovens e mulheres negras, ressaltando que os espaços de decisão também lhes pertencem. “Os espaços de decisão e de poder também nos pertencem”, disse. “Minha caminhada até aqui não foi fácil. Sou filha de lavradores, lutei muito para chegar até este momento e digo com convicção: a educação vale a pena no Brasil.”
Maria Santana ainda destacou a necessidade de fortalecer a confiança da juventude na educação e apontou a atuação da UFT no desenvolvimento regional. Conforme afirmou, a universidade está presente em cinco campi — Arraias, Gurupi, Palmas, Porto Nacional e Miracema do Tocantins — e mantém atividades em 35 cursos, com impacto direto nas realidades locais do estado.
No discurso, a reitora mencionou o papel da UFT em políticas de inclusão, lembrando que a instituição foi pioneira nas cotas indígenas e atualmente é referência na inclusão de quilombolas e comunidades tradicionais, incluindo o povo Xerente.
Ao se dirigir ao ministro Camilo Santana, Maria Santana solicitou a consolidação da construção do hospital universitário da UFT no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Para ela, o equipamento é estratégico para o Tocantins e para a região Norte, por possibilitar a formação de profissionais da saúde com infraestrutura adequada e ampliar o acesso da população a serviços de alta complexidade no sistema público.
Encerrando a fala, a reitora destacou o caráter coletivo da universidade e defendeu o fortalecimento de uma instituição democrática e diversa. “A UFT é feita por todas as mãos e de todos os sonhos que aqui se encontram”, afirmou, acrescentando que o futuro da universidade passa pela consolidação de um espaço que acolha a diversidade e promova a dignidade humana por meio do conhecimento. “A UFT é viva, é diversa e é de todas e de todos nós”, concluiu.
Veja o discurso da reitora Maria Santana:
