Relembre quais são as empresas registradas no Tocantins investigadas por suspeita de lavar R$ 8 bilhões para o PCC
03 março 2026 às 15h57

COMPARTILHAR
As empresas registradas em Palmas associadas ao banco digital 4TBank voltaram ao foco das investigações após a prisão de João Gabriel de Mello Yamawaki, ocorrida no último dia 25, no município de Arraias, no sul do Tocantins.
As companhias aparecem desde 2024 em apurações da Polícia Civil do Estado de São Paulo sobre um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e investigado por movimentações financeiras sem autorização do Banco Central do Brasil.
A presença dessas empresas em Palmas foi identificada a partir da Operação Decurio, deflagrada em agosto de 2024 pela Polícia Civil de São Paulo. A investigação apontou que o 4TBank, fintech sediada em Mogi das Cruzes (SP), teria movimentado cerca de R$ 8 bilhões entre 2019 e 2024 por meio de uma rede de empresas abertas em diferentes estados.
Reportagens publicadas pelo Jornal Opção Tocantins mostraram que empresas abertas na capital tocantinense faziam parte da estrutura utilizada para movimentação de recursos dentro do esquema atribuído ao 4TBank.
De acordo com as apurações, empresas registradas em nome de Matiê Obam teriam movimentado mais de R$ 100 milhões no Tocantins dentro da estrutura investigada. Matiê Obam é apontada nas investigações como responsável formal pelas companhias ligadas ao banco digital e enteada de Yamawaki.
Entre as características que chamaram a atenção nas investigações estão registros em endereços onde não há funcionamento comercial; empresas com grande número de atividades econômicas distintas; companhias registradas como holdings ou consultorias sem estrutura visível.
As empresas registradas em Palmas citadas nas investigações
- 4TPag Instituição de Pagamentos S.A.
- Abertura: 27/03/2019
- Capital social: R$ 97.550.200,00
- Sede: JK Business Center, Plano Diretor Sul, Palmas
- Sócios: Matie Obam — Presidente; Kenzo Obam — Administrador
- Atividade: intermediação de serviços, atividades financeiras auxiliares e administração de cartões de crédito.
- 4TGroup Participação Ltda.
- Abertura: 15/01/2018
- Capital social: R$ 150.000,00
- Sede: JK Business Center, Plano Diretor Sul, Palmas
- Sócio-administrador: Matie Obam
- Atividade: holding de instituições financeiras.
- RNCT – Rede Nacional de Contabilidade Tributária Ltda.
- Abertura: 18/02/2022
- Capital social: R$ 200.000,00
- Sede: Quadra Arso 32, Alameda 4, Palmas
- Sócios: 4TGroup Participação Ltda, Matie Obam
- Atividade: consultoria e auditoria contábil e tributária, além de serviços empresariais.
A empresa utilizava anteriormente o nome Rede Kampai Restaurantes Ltda., sem relação com o restaurante tradicional da capital, e teve a denominação alterada após a operação policial que investigou o esquema.
- VB Inter Holding Ltda.
- Abertura: 21/09/2021
- Capital social: R$ 100.000,00
- Sede: Quadra JK Business Center, Plano Diretor Sul, Palmas
- Sócio-administrador: Matie Obam
- Atividade: holding de instituições não financeiras e organização de eventos.
Empresa que já esteve ligada ao grupo
- Leve Atacadista Ltda.
- Abertura: 12/11/2021
- Capital social: R$ 1.000.000,00
- Sede: ASR NE 55, Alameda 6, Palmas
- Atividade principal: comércio atacadista de papel e materiais de construção.
A empresa também apareceu vinculada ao grupo empresarial nas investigações iniciais.
No entanto, houve mudança societária em 2025, e o atual sócio-administrador passou a ser Sidney Fernando da Costa, também de São Paulo. Não se sabe se ela ainda está nas investigações.
Empresas voltam a ser citadas em operação no Tocantins
A estrutura empresarial associada ao 4TBank voltou a ser mencionada durante a Operação Serras Gerais, realizada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco) em 29 de maio de 2025.
A ação investigou o uso de fazendas, pistas clandestinas e empresas para movimentação de recursos provenientes do tráfico de drogas. Segundo as autoridades, o grupo investigado teria movimentado cerca de R$ 70 milhões em oito meses.
Na operação, foram cumpridos mandados em sete estados, com bloqueio de bens e valores, além da apreensão de fazendas, aeronaves, veículos e embarcações.
Prisão de Yamawaki no Tocantins
A prisão de Yamawaki ocorreu durante diligências relacionadas à investigação de um voo clandestino que transportava cerca de 500 quilos de cocaína. A aeronave teria saído da Bolívia e pousado em uma área rural do município de Paranã.
Segundo o boletim de ocorrência, o gerente de uma fazenda acionou a polícia após um homem chegar ao local a pé, sem camisa, pedindo água e sem informar a identidade. Ao chegar ao local, os policiais identificaram o investigado, que estava foragido desde abril de 2025.
De acordo com o registro policial, Yamawaki afirmou que havia caminhado cerca de 40 quilômetros antes de ser encontrado e se entregou sem resistência. Em audiência de custódia, declarou que estava cansado e sem se alimentar ou ingerir água.
Ele foi encaminhado para a Unidade Penal de Palmas, onde permanece em cela de triagem à disposição da Justiça. A defesa afirma que a prisão ocorreu de forma ilegal e que o investigado nega envolvimento com os fatos apurados.
Estrutura empresarial segue sob apuração
Com a prisão de Yamawaki no Tocantins, as empresas registradas em Palmas voltam a aparecer no conjunto das investigações sobre o 4TBank, que incluem operações policiais realizadas desde 2024 e apurações sobre lavagem de dinheiro e tráfico de drogas.
As autoridades continuam rastreando ativos financeiros e investigando a atuação das empresas dentro da estrutura identificada nas operações.
