Seca deixa seis botos-do-Araguaia isolados em Lagoa da Confusão e dois são resgatados em situação crítica
01 outubro 2026 às 09h15

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A redução do nível do rio Urubu, em Lagoa da Confusão, deixou seis botos-do-Araguaia isolados em trechos sem conexão entre si e levou ao resgate de dois animais que estavam em condições críticas de sobrevivência. Segundo o WWF-Brasil, um deles apresentava sinais de inanição e desidratação pela exposição ao sol.
A intervenção foi organizada em agosto com a participação de veterinários especializados, órgãos ambientais e colaboradores locais. Os dois botos foram transferidos para um trecho com cerca de dois metros de profundidade e disponibilidade de alimento, onde outro indivíduo já havia sido identificado.
Inicialmente, as equipes localizaram cinco animais. Dois estavam em uma poça próxima a um barramento utilizado para abastecimento e irrigação de áreas de monocultivo. Outros três permaneciam em uma segunda poça, a cerca de 500 metros da primeira, sem ligação hídrica entre elas. Durante a inspeção com drones e caiaque, um sexto boto foi encontrado, totalizando seis indivíduos em três áreas distintas.
Após avaliações de saúde, exames e administração de medicamentos, os dois animais resgatados foram liberados no novo trecho. Funcionários da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Recursos Hídricos de Lagoa da Confusão e da Fazenda Goiás também adquiriram peixes para ampliar a oferta de alimento aos grupos.
Conforme o comunicado do WWF-Brasil, divulgado em, 1º de setembro, a operação estabeleceu acompanhamento periódico dos animais e das condições do rio. O plano prevê o acionamento das equipes técnicas caso sejam identificadas mudanças no comportamento ou na saúde dos botos.
Água mais quente aumenta risco aos animais
Além de impedir o deslocamento dos botos, a queda do volume de água pode favorecer o aquecimento das poças. A exposição ao sol e o aumento da temperatura ameaçam a sobrevivência dos animais aquáticos durante o período de seca.
Segundo Mariana Frias, analista de conservação do WWF-Brasil, a conexão entre os ambientes é essencial para a espécie. “Quando eles sofrem, é sinal de que todo o ecossistema aquático está sob estresse”, afirma.
A analista ressalta, porém, que ainda não é possível atribuir o episódio ao El Niño. Para ela, a ocorrência indica a fragilidade do Cerrado diante de eventos climáticos extremos.
A operação reuniu WWF-Brasil, Unievangélica, R3 Animal, National Marine Mammal Foundation, Instituto Mamirauá, BIOMA, Fazenda Goiás, secretaria municipal de Meio Ambiente, Naturatins e Defesa Civil. Também houve apoio de uma rede de veterinários especializados em emergências com golfinhos de rio.
Espécie tem distribuição restrita
O boto-do-Araguaia (Inia araguaiaensis) foi descrito cientificamente em 2014 e, conforme o WWF-Brasil, ocorre exclusivamente no Brasil, na bacia dos rios Tocantins-Araguaia.
A distribuição restrita torna a espécie particularmente exposta à perda e à fragmentação de habitat. Alterações na qualidade e na disponibilidade de água, além de conflitos com atividades humanas, estão entre as ameaças à sua conservação.

