A suspensão dos serviços consulares dos Estados Unidos no Brasil, anunciada nesta sexta-feira, 2, ocorreu após uma suposta ameaça recebida pela Embaixada norte-americana em Brasília. O caso passou a ser investigado pela Polícia Federal (PF), que foi acionada antes da divulgação da medida.

De acordo com duas fontes graduadas do governo brasileiro ouvidas pela coluna sob reserva, a embaixada comunicou o episódio à PF antes de anunciar a interrupção dos atendimentos. Após receber a informação, a corporação informou o caso ao Palácio do Planalto e ao Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty).

A orientação dentro do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é aguardar o andamento da apuração para esclarecer se a ameaça é real e identificar sua possível origem. Até o momento, não foram divulgadas informações sobre o conteúdo da suposta ameaça.

A representação norte-americana informou, em comunicado oficial, que os serviços consulares da embaixada e dos consulados dos Estados Unidos em todo o Brasil foram suspensos “devido a questões de segurança”. Os funcionários das unidades também receberam orientação para trabalhar de casa.

Nos bastidores da campanha de Lula, o episódio foi recebido com desconfiança. Integrantes do PT passaram a considerar a possibilidade de uma “operação psicológica” destinada a criar um clima de apreensão às vésperas do primeiro turno das eleições, marcado para domingo, 4.

Além dos Estados Unidos, a Austrália também anunciou a suspensão do atendimento em sua embaixada em Brasília pouco depois da decisão norte-americana. O governo australiano justificou a medida com preocupações relacionadas à segurança e mencionou riscos ligados ao terrorismo em um alerta destinado a cidadãos australianos que estão no Brasil.

O governo brasileiro, por sua vez, deve aguardar o avanço das investigações antes de se manifestar oficialmente sobre o episódio.