SES confirma primeiro óbito por sífilis em 2026 no Tocantins e alerta para o diagnóstico tardio
31 maio 2026 às 17h40

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O Tocantins registrou mais de 850 casos de sífilis nos primeiros meses de 2026, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde (SES-TO), que alerta para o diagnóstico tardio como um dos principais desafios no enfrentamento da infecção no estado. As informações constam em levantamento do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan/MS), com dados atualizados neste mês de maio, apresentados pela pasta junto ao balanço das Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST).
Na nota enviada pela SES/TO ao Jornal Opção Tocantins, a pasta informa que a sífilis adquirida registrou 2.463 casos em 2025 e 856 casos de janeiro a 19 de maio de 2026. Já a sífilis em gestantes somou 1.002 casos em 2025 e 376 em 2026. No caso da sífilis congênita, foram 277 registros em 2025 e 100 em 2026. O estado também registrou um óbito relacionado à doença neste ano.
Os municípios com maior número de notificações seguem sendo Palmas, Araguaína, Gurupi e Porto Nacional, com maior incidência entre pessoas de 20 a 34 anos.
Em relação ao HIV, entre janeiro e abril de 2026 foram notificados 110 casos, além de 21 casos de AIDS e 14 registros de gestantes com HIV. A maioria das notificações ocorreu entre homens, que representam 88,5% dos casos, enquanto mulheres correspondem a 11,5%.
Em entrevista ao Jornal Opção Tocantins, o médico infectologista pediátrico Jandrei Rogério Markus, que atua no Hospital e Maternidade Dona Regina (HMDR) e no Hospital Geral de Palmas (HGP), explicou que a sífilis é uma infecção sexualmente transmissível (IST) causada pela bactéria Treponema pallidum e ainda representa um importante problema de saúde pública no Brasil. Segundo ele, trata-se de uma doença antiga, com diferentes formas de manifestação ao longo do tempo, e que chama atenção pela capacidade de permanecer silenciosa em muitos casos.

O especialista destacou que o país enfrenta oscilações nos números de casos ao longo dos anos, com aumento expressivo a partir de 2010 e novo crescimento registrado em 2022. Ele também chamou atenção para a sífilis congênita, que ocorre quando a infecção é transmitida da gestante para o bebê durante a gravidez. “Mesmo sendo uma doença de diagnóstico simples e tratamento de baixo custo, ainda observamos casos todos os anos, o que evidencia falhas importantes na assistência pré-natal”, afirmou.
Jandrei explicou que a sífilis primária surge entre 3 e 90 dias após a infecção e se caracteriza por uma lesão única, geralmente indolor, na região genital. “Por ser uma ferida sem dor e muitas vezes localizada em áreas de difícil visualização, especialmente em mulheres, pode passar despercebida e desaparecer espontaneamente, o que leva muitas pessoas a acreditarem erroneamente que houve cura”, disse.
De acordo com o médico, após essa fase ocorre a sífilis secundária, que pode surgir de duas a oito semanas após o desaparecimento da lesão inicial. Nesse estágio, surgem manchas pelo corpo, principalmente no tronco, além de lesões nas palmas das mãos e plantas dos pés, podendo haver também febre e aumento dos linfonodos. “Essas manifestações podem ser confundidas com alergias, viroses ou até doenças como dengue, o que dificulta o diagnóstico e o tratamento precoce”, explicou.
O infectologista detalhou ainda que, após essa fase, a doença entra no estágio latente, quando não há sintomas aparentes, mas a infecção permanece ativa no organismo. Esse período pode durar anos ou até décadas. Já na sífilis terciária, a forma mais grave da doença, podem ocorrer complicações neurológicas, cardiovasculares e ósseas, muitas vezes com sequelas irreversíveis. “São complicações que poderiam ser evitadas com diagnóstico e tratamento adequados nas fases iniciais”, ressaltou.
Por fim, o médico explicou que a transmissão ocorre principalmente por relações sexuais desprotegidas, mas também pode acontecer da mãe para o bebê durante a gestação. Ele destacou ainda que muitos casos demoram a ser identificados porque a doença pode ser assintomática ou apresentar sinais semelhantes aos de outras condições. “Além disso, o estigma relacionado às infecções sexualmente transmissíveis e a dificuldade de acesso ou interpretação correta dos testes também contribuem para a manutenção da transmissão”, concluiu.
Ações de prevenção e tratamento
De acordo com a SES-TO, o estado tem ampliado medidas de enfrentamento às ISTs, com foco na ampliação do acesso a testes rápidos, assistência especializada e distribuição de insumos e medicamentos em toda a rede de saúde.
Entre as ações estão capacitações práticas para testagem rápida de HIV e triagem de sífilis e hepatites virais B e C; distribuição de testes rápidos para a rede assistencial; e envio de penicilina benzatina aos municípios. A pasta também cita a oferta de Profilaxia Pré e Pós-Exposição ao HIV (PrEP e PEP), distribuição de fórmulas infantis para crianças expostas ao vírus, assessoramento técnico aos municípios, ações de hemovigilância e distribuição de preservativos. Segundo a secretaria, foram distribuídos 7.933 frascos de penicilina aos municípios tocantinenses.
