A Prefeitura de Palmas oficializou nesta quarta-feira, 17, a exoneração de Dhieine Caminski do cargo de secretária municipal de Saúde. A medida foi publicada no Diário Oficial do Município por meio do Ato nº 727-EX, assinado pelo prefeito José Eduardo de Siqueira Campos.

De acordo com o documento, a exoneração ocorreu a pedido da própria gestora e passa a produzir efeitos a partir da data da publicação. A saída ocorre sete dias após a prisão preventiva da ex-secretária, registrada em 10 de junho, durante a Operação Falsa Emergência, deflagrada pela Polícia Civil do Tocantins.

A investigação apura supostas irregularidades na contratação da organização social responsável pela gestão das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) Norte e Sul da capital, em um contrato estimado em aproximadamente R$ 139,1 milhões. Segundo os investigadores, há indícios de direcionamento de contratação, falsidade ideológica e corrupção passiva e ativa no acordo firmado, sem licitação, com a Irmandade Santa Casa de Misericórdia de Itatiba.

À imprensa, a defesa de Dhieine informou que não irá se manifestar sobre o mérito da investigação, uma vez que o caso tramita sob segredo de Justiça. Afirmou ainda que a ex-secretária pediu exoneração como forma de evitar qualquer dúvida sobre possível interferência no exercício do cargo. “Sobre a publicação no diário oficial, a Sra. Dhieine Caminski informa que pediu exoneração do cargo de Secretária Municipal de Saúde de Palmas como gesto voluntário de boa-fé e postura colaborativa com a investigação em curso. A medida visa afastar qualquer dúvida sobre eventual interferência funcional, reafirmando sua confiança no esclarecimento dos fatos perante o Poder Judiciário”, diz a nota.

Embora a exoneração só tenha sido formalizada nesta quarta-feira, Dhieine já estava afastada do comando da pasta desde o dia da operação, quando a Prefeitura designou Ana Paula dos Santos Andrade Abadia para responder interinamente pela Secretaria Municipal da Saúde.

Além de Dhieine, o ex-superintendente de Atenção à Saúde e lotado como assessor especial de Planejamento Estratégico em Saúde, Andreis Vicente da Costa, também foi exonerado pela Prefeitura. A saída dele foi publicada nesta terça-feira, 16, em portaria com efeitos retroativos à data da prisão, 10 de junho, e igualmente formalizada como “a pedido” do servidor.

Os dois casos fazem parte do conjunto de medidas administrativas adotadas após a deflagração da operação, que também teve como alvo a empresária Cláudia Fernanda Cândido da Silva, apontada como intermediadora dos interesses da organização social contratada. Os três investigados foram presos preventivamente e solicitaram revogação das prisões.

As prisões foram mantidas pela Justiça durante audiência de custódia. Conforme os autos, há suspeitas de crimes como falsidade ideológica, corrupção, associação criminosa e lavagem de dinheiro, com a decisão judicial destacando a necessidade das medidas para garantia da ordem pública e preservação da instrução processual.

Desde o início da operação, a Prefeitura de Palmas afirma acompanhar o caso por meio da Procuradoria-Geral do Município. Os serviços das UPAs Norte e Sul seguem em funcionamento, segundo a gestão municipal.

Com as exonerações já formalizadas, a Secretaria Municipal da Saúde permanece sob comando interino até definição de novo titular.

A Prefeitura de Palmas informou que a exoneração de Andreis Vicente da Costa ocorreu a partir de pedido protocolado pelo próprio servidor no processo e-Palmas nº 000000048671/2026, sendo formalizada por meio de portaria publicada no Diário Oficial do Município. A gestão municipal afirmou ainda que acompanha o andamento das investigações.

A administração também destacou que os serviços da Secretaria Municipal da Saúde seguem funcionando normalmente, sem prejuízo à população, incluindo os atendimentos realizados nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) Sul e Norte.

Em nota, a Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Itatiba afirmou não ser parte investigada na Operação Falsa Emergência e disse que a pessoa citada pela imprensa como representante da entidade não possui qualquer vínculo com a instituição, informação que estaria sendo comunicada às autoridades e veículos de imprensa.

A entidade também declarou que as UPAs Norte e Sul seguem em plena operação e que não há previsão de qualquer medida que comprometa o atendimento de urgência e emergência à população de Palmas.

A Irmandade informou ainda que recorreu à via judicial para garantir o sigilo de informações consideradas sensíveis no âmbito das investigações, em respeito ao devido processo legal. Segundo a instituição, a decisão de indeferimento está sendo analisada por sua equipe jurídica, que avalia a adoção de recursos cabíveis.

Por fim, a Santa Casa afirmou colaborar com as autoridades e disse confiar no curso regular da Justiça.