Siqueira Júnior diz que quer “voltar à época de ouro” da família e promete resgatar legado do pai
08 setembro 2026 às 13h08

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O empresário José Wilson Siqueira Campos Júnior, de 69 anos, estreia na disputa eleitoral como candidato ao governo do Tocantins pelo Partido Democrata. Filho do ex-governador Siqueira Campos, ele foi registrado pela legenda para encabeçar uma nova chapa a menos de 30 dias das eleições de 2026 e afirma que pretende resgatar o legado político do pai e recuperar o que chama de “época de ouro” da família no Estado.
A nova candidatura foi apresentada depois que o Tribunal Regional Eleitoral do Tocantins (TRE-TO) indeferiu, na quinta-feira, 3, o registro da chapa anterior do Democrata, encabeçada por Luiz Carlos Ferreira da Silva, com Jair Medeiros como vice.
No caso de Luiz Carlos, a Justiça Eleitoral apontou a ausência das certidões criminais estaduais exigidas para o registro, tanto em primeiro quanto em segundo grau. Já Jair Medeiros teve a candidatura rejeitada por falta de quitação eleitoral, relacionada à ausência de prestação de contas eleitorais.
Com a decisão, o partido substituiu a chapa e registrou Siqueira Campos Júnior como candidato a governador e o militar reformado Osmar Gomes de Lima, conhecido como Capitão Osmar, como candidato a vice.
A mudança coloca Siqueira Júnior pela primeira vez em uma disputa eleitoral. Empresário, ele não declarou bens à Justiça Eleitoral e terá pouco tempo para apresentar seu nome ao eleitorado e estruturar a campanha.
A candidatura também carrega um peso familiar significativo. Siqueira Júnior é filho de José Wilson Siqueira Campos, ex-governador considerado responsável pela criação do Tocantins, morto em julho de 2023. Ele é ainda irmão do prefeito de Palmas, Eduardo Siqueira Campos.
Durante entrevista ao Jornal Opção Tocantins, o candidato rejeitou a ideia de que tenha surgido “do nada” na política tocantinense e afirmou que pretende apresentar ao eleitorado uma trajetória que, segundo ele, é desconhecida por parte da população. “Eu não estou caindo de paraquedas”, afirmou.
Uma das histórias que pretende resgatar é sua participação nos bastidores da criação do Tocantins. Segundo o candidato, seu pai foi o principal responsável pela defesa da criação do Estado, mas enfrentava resistência de setores ligados ao então PMDB durante a Assembleia Nacional Constituinte.
Siqueira Júnior afirma que, naquele período, seu vínculo familiar com o senador Humberto Lucena, que era seu sogro e presidia o Senado, ajudou nas articulações políticas. Ele relatou ter sido apresentado a lideranças do PMDB, entre elas Paulo Brossard e Paulo Guimarães.
“Meu sogro era presidente do Senado. Ele era líder do MDB e fez um trabalho junto à Assembleia Nacional Constituinte e nós aprovamos o Tocantins”, declarou.
Apesar de reivindicar participação no processo, Siqueira Júnior fez questão de atribuir ao pai o protagonismo pela criação do Estado.
“Eu não quero os méritos para mim. O mérito é do meu pai, o projeto é dele, ele é o idealizador”, afirmou.
Projetos e obras
O candidato também relacionou seu nome a projetos desenvolvidos no Tocantins. Durante a entrevista, citou o projeto Orla e a Praça dos Três Poderes, em Palmas, entre iniciativas que afirma ter ajudado a desenvolver.
Ele disse que pretende apresentar documentos e registros para demonstrar sua participação nesses projetos e em outras ações realizadas durante os primeiros anos do Estado.
A estratégia faz parte de uma tentativa de reconstruir sua trajetória perante o eleitorado. Siqueira Júnior afirmou que muitas pessoas desconhecem sua atuação e que pretende usar a campanha para apresentar essa história. “Eu fiz parte efetivamente”, afirmou.
Antes de se dedicar à política, ele contou que trabalhou como dublê em produções de televisão e cinema. Segundo seu relato, aos 30 e poucos anos fazia cenas de acidentes e quedas de cavalo para produções da Rede Globo.
A trajetória familiar, porém, é o principal eixo da narrativa política que pretende construir. Siqueira Júnior afirmou que os filhos de Siqueira Campos atuavam em diferentes áreas da administração e que a família formava uma espécie de equipe próxima ao então governador. “Nós éramos a staff do meu pai”, disse.
Segundo ele, um irmão cuidava da área bancária, outro da saúde e uma irmã atuava na assistência social.
Crítica à política atual
A candidatura também é apresentada como uma tentativa de romper com o modelo político que, segundo Siqueira Júnior, passou a dominar o Estado.
Ele afirmou existir um grupo de mais de 20 parlamentares, entre deputados estaduais e federais, que atuaria de forma articulada para derrubar governadores.
Sem citar nomes, comparou esse grupo a uma “turma de hienas” e disse que pretende interromper o que considera um ciclo de instabilidade política. “Sempre eles derrubam o governador, entra um tampão, eles derrubam também e assim sucessivamente”, completou.
Siqueira Júnior disse que quer recuperar a estabilidade que atribui aos primeiros anos do Tocantins e apresentar um programa de governo mais detalhado do que, segundo ele, os documentos tradicionais de candidatos.
Juventude e empreendedorismo
Entre as propostas mencionadas está um programa voltado à juventude, com incentivo ao empreendedorismo, esporte e formação profissional.
O candidato afirmou que pretende estimular a criação de startups por estudantes ainda durante o ensino médio e criar competições esportivas entre municípios.
A intenção, segundo ele, é oferecer novas referências aos jovens e criar alternativas ao envolvimento com drogas e criminalidade. “Eu quero voltar o herói do bem”, declarou.
Siqueira Júnior também afirmou que pretende fazer uma campanha de baixo custo, concentrada nas redes sociais, caminhadas e contato direto com os eleitores.
“Eu não tenho dinheiro”, afirmou. Segundo ele, a estratégia será fazer uma campanha “muito pobre”, baseada em redes sociais e no contato “olho no olho”.
Ao apresentar sua candidatura, Siqueira Júnior disse que pretende recuperar o protagonismo da família na política tocantinense, mas afirmou que sua intenção não é apenas reproduzir o passado. “Eu quero voltar a esse tempo”, finalizou.
