A prisão de um investigado por tráfico de drogas no Tocantins aparece em uma apuração mais ampla da Polícia Civil de São Paulo sobre a atuação do crime organizado no país. O empresário João Gabriel de Melo Yamawaki, detido em Arraias em 2026, é citado em relatório da Operação Contaminatio como responsável por utilizar o heliponto do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista.

Segundo a investigação, o pouso ocorreu em 10 de março de 2022 e teria sido autorizado em cerca de seis horas após articulação com contatos políticos. O deslocamento, de acordo com mensagens analisadas pela polícia, tinha como destino o estádio do Morumbi, onde ocorria uma partida de futebol.

A apuração indica que Yamawaki entrou em contato com o ex-vereador de Santo André Thiago Rocha de Paula, que teria intermediado o acesso junto a pessoas ligadas ao governo estadual. Em mensagens apreendidas, foi apresentada a justificativa de que a aeronave transportaria uma comitiva estrangeira.

À época, o governo de São Paulo era comandado por João Doria, que afirmou não ter controle sobre o uso do heliponto. A Secretaria de Segurança Pública informou que as autorizações seguem critérios técnicos definidos pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

A ligação com o Tocantins ocorre a partir da prisão de Yamawaki, que estava foragido desde 2025. Ele é investigado por suspeita de participação em um esquema de tráfico internacional de drogas, relacionado ao transporte de cerca de 500 quilos de cocaína em uma aeronave vinda da Bolívia.

Reportagens do Jornal Opção Tocantins apontam que o empresário também é investigado como suposto operador financeiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) e associado à criação do 4TBank, uma fintech que teria movimentado aproximadamente R$ 8 bilhões entre 2019 e 2024 sem autorização do Banco Central.

Segundo as investigações, parte da estrutura financeira do grupo incluía empresas registradas no Tocantins, inclusive em Palmas, utilizadas para movimentação de recursos e possível lavagem de dinheiro. Essas empresas estariam, em alguns casos, em nome de terceiros.

A Operação Contaminatio é um desdobramento da Operação Decurio, que apura a infiltração do PCC em administrações públicas, incluindo suspeitas de financiamento de campanhas eleitorais e tentativa de atuação em serviços municipais. A investigação também identifica pessoas politicamente expostas entre os alvos.

Na atual fase da operação, a Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 513 milhões em bens e ativos dos investigados, além do cumprimento de mandados de prisão e busca em diferentes estados.

O caso segue sob investigação.