Tocantins é o 4ª estado com maior taxa de feminicídio por habitante em 2025
20 janeiro 2026 às 15h42

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Em 2025, o Brasil atingiu um novo patamar histórico de violência letal contra mulheres, com 1.470 registros de feminicídio entre janeiro e dezembro, acima dos 1.464 casos de 2024, então recorde nacional. Nesse cenário, o Tocantins se destaca ao registrar taxa de 1,2 vítima por 100 mil habitantes, figurando entre os quatro estados com maiores índices proporcionais, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Os registros oficiais de feminicídios apontam para quatro mulheres mortas por dia no ano passado no país.
Os números ainda podem crescer, uma vez que os dados de dezembro do estado de São Paulo não foram atualizados na base federal. As estatísticas são enviadas pelos governos estaduais e consolidadas e divulgadas pelo governo federal.
Mesmo sem o fechamento de dezembro paulista, São Paulo lidera o total absoluto de casos em 2025, com 233 registros, seguido por Minas Gerais (139) e Rio de Janeiro (104).
Na comparação por 100 mil habitantes, o Acre registrou 1,58 vítima; Rondônia, 1,43; Mato Grosso, 1,36; e Tocantins, 1,2, ocupando a quarta posição entre os maiores índices desse conjunto. Amapá e Piauí tiveram 1,12 cada; Mato Grosso do Sul, 1,09; e Roraima, 0,95.
Tocantins
Um dos casos mais recentes que comoveu a população tocantinense foi o da jovem Ingrid Lorane Negreiros, de 22 anos, morta após ser atingida por golpes de arma branca dentro da própria residência, no Setor Taquari, região sul de Palmas. O crime ocorreu na noite de sábado, 3, por volta das 20h. Ingrid havia registrado pelo menos quatro denúncias de violência doméstica contra o marido, Ires Rodrigues do Nascimento, de 36 anos, apontado como o principal suspeito do feminicídio e que foi preso pela Polícia Militar menos de 24 horas após o crime.
Segundo estatísticas da Secretaria da Segurança Pública (SSP) apontam que em 2024, o estado contabilizou 78 registros de feminicídio. Desses, 13 resultaram em morte e 65 foram classificados como tentativas. Em 2025, o total geral recuou para 75 casos, porém com desfecho mais grave: 18 mulheres foram mortas e 57 sobreviveram. Na comparação entre os dois anos, houve cinco mortes a mais e oito tentativas a menos em 2025, indicando maior letalidade nos episódios de violência contra mulheres.
A residência continua sendo o principal local dos crimes. Em 2024, 48 feminicídios ocorreram dentro de casas; em 2025, foram 40. Apesar da redução, o ambiente doméstico permanece como o espaço onde a violência mais frequentemente resulta em morte, sobretudo em situações envolvendo companheiros ou ex-companheiros, como no caso de Ingrid Lorane.
Os registros também revelam predominância de ocorrências no período noturno. Em 2024, 45 casos aconteceram à noite e 33 durante o dia. Em 2025, a tendência se repetiu, com 42 registros noturnos e 33 diurnos. Os fins de semana concentram o maior número de episódios, especialmente aos sábados.
A distribuição por municípios indica alteração no cenário territorial. Em 2024, Palmas e Araguaína lideravam os números, com oito casos cada. Em 2025, Palmas passou a figurar isoladamente na primeira posição, com 11 feminicídios, seguida por Gurupi, com oito, e Tocantinópolis, com quatro.
Brasil: Alta de 316% em uma década
A tipificação de feminicídio, quando uma mulher é morta pelo fato de ser mulher, foi criada em 2015. Naquele ano, ocorreram 535 mortes nessas circunstâncias. Houve crescimento de 316% em dez anos ao comparar com os números de 2025.
A alta é constante desde que o crime passou a ser registrado separadamente dos demais homicídios.
Ao todo, 13.448 mulheres foram mortas em dez anos pelo fato de serem mulheres, o que representa uma média de 1.345 crimes por ano.
São Paulo soma 1.774 feminicídios no período, Minas Gerais 1.641 e Rio Grande do Sul 1.019, liderando as estatísticas acumuladas.
Ao longo do ano, o Brasil registrou uma série de casos de feminicídio que expõem a violência extrema sofrida por mulheres, muitas vezes dentro de relações afetivas marcadas por ameaças, agressões e histórico de perseguição.
Outro caso que repercutiu a nível nacional, ocorreu em São Paulo. Tainara Souza Santos, de 31 anos, morreu após quase um mês internada em estado grave, depois de ser atropelada e arrastada por mais de um quilômetro na Marginal Tietê pelo ex-ficante. Ela passou por ao menos cinco cirurgias de alta complexidade, e o caso, inicialmente tratado como tentativa de feminicídio, passou a ser investigado como feminicídio após a morte.
No Recife, um episódio igualmente brutal terminou com a morte de Isabele Gomes de Macedo, de 40 anos, e de seus quatro filhos, com idades entre 1 e 7 anos, que morreram carbonizados após o companheiro atear fogo na casa depois de uma discussão e agressões; o suspeito foi preso.
Mudança no Código Penal
Em outubro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou um projeto de lei que aumenta a pena para feminicídio e para crimes cometidos contra a mulher.
A nova lei prevê que condenados por assassinato contra mulheres motivado por violência doméstica ou discriminação de gênero terão pena mínima de 20 anos e máxima de 40 anos.
Antes, a legislação previa punição de 12 a 30 anos de prisão.
As penas serão aumentadas em um terço caso a vítima estivesse grávida ou nos três meses após o parto, bem como quando as vítimas forem menores de 14 anos ou maiores de 60. A pena também será aumentada em um terço caso o crime tenha sido cometido na presença de filhos ou pais da vítima.
