Tocantins está entre os estados que registraram alta nos prejuízos com cargas roubadas em rodovias durante 2025
04 março 2026 às 08h25

COMPARTILHAR
O avanço do roubo de cargas na Região Norte colocou Tocantins no centro das atenções de transportadoras e seguradoras em 2025. Segundo levantamento da Nstech, empresa de software de logística, a participação do Norte nos prejuízos nacionais saltou de 0,9% em 2024 para 11,2% no ano passado. Pará e Tocantins concentram praticamente todo o impacto financeiro registrado na região, com incidência maior sobre mercadorias de alto valor agregado, como eletrônicos.
O crescimento ocorre em meio a uma reconfiguração da geografia do crime no país, embora o Sudeste ainda lidere as perdas, sua fatia recuou de 83,2% para 68,1% no período analisado, indicando dispersão das ocorrências para outras regiões. O Nordeste consolidou-se como a segunda área mais afetada, com Bahia (28,4%), Maranhão (24,7%) e Pernambuco (23,8%) respondendo por mais de 75% dos prejuízos regionais.
No Norte, o avanço acompanha a importância logística de corredores estratégicos que atravessam o Tocantins, especialmente as rodovias BR-153 e BR-010. Ambas são fundamentais para o escoamento da produção agropecuária e para o abastecimento regional, o que amplia a circulação de cargas de maior valor e, consequentemente, a exposição ao risco.
O estudo também aponta mudança no perfil das mercadorias visadas, a carga fracionada segue na liderança, mas perdeu participação relativa. Em contrapartida, os alimentos avançaram 6,4 pontos percentuais, alcançando 26,5% dos prejuízos. Medicamentos mais que dobraram presença nas estatísticas, enquanto eletrônicos consolidaram a terceira posição entre os itens mais atingidos.
Além da redistribuição territorial e da alteração nos alvos, houve mudança nos padrões de ocorrência,a noite permanece como o período de maior risco, concentrando 30,7% dos registros, mas houve crescimento das ações durante o horário comercial, especialmente pela manhã. No recorte semanal, a quinta-feira passou a liderar as ocorrências, e os domingos apresentaram aumento relevante, reduzindo a diferença histórica de risco entre dias úteis e fins de semana.
Mesmo com a queda proporcional, o Sudeste mantém elevado nível de concentração. São Paulo responde por 44,2% dos prejuízos regionais e o Rio de Janeiro por 37%, em cenário marcado pela intensa atividade logística e pelo alto consumo nos grandes centros urbanos.
