Dados de um estudo sobre a evolução econômica dos estados brasileiros indicam que o Tocantins apresentou um dos maiores crescimentos do país nas últimas três décadas. Conforme o levantamento “Uma análise histórica regional do crescimento econômico real nos estados brasileiros – 1995–2025”, elaborado pela plataforma Brasil em Mapas com base em informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o estado acumulou alta real de 593,8% no Produto Interno Bruto (PIB) no período, o segundo maior índice entre as unidades da federação.

O resultado insere o Tocantins no contexto de mudanças na dinâmica econômica do país ao longo dos anos, com destaque para a expansão das fronteiras agrícolas e o avanço do crescimento em áreas do interior, especialmente nas regiões Norte e Centro-Oeste.

No recorte analisado, o PIB nominal do estado passou de R$ 1,84 bilhão em 1995 para R$ 75,25 bilhões em 2025, refletindo alterações na estrutura econômica local. O governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) ressalta que o desempenho está relacionado a políticas de incentivo à produção e atração de investimentos. “O Tocantins tem trabalhado para criar um ambiente favorável ao desenvolvimento e ampliar as oportunidades de crescimento em todas as regiões do estado”, pontua.

De acordo com o secretário do Planejamento e Orçamento do Tocantins, Mauricio Parizotto, há projeções de continuidade desse desempenho. Segundo análises do sistema de contas trimestrais da pasta, a estimativa é que o PIB estadual alcance R$ 80,9 bilhões em 2025. “Acompanhamos esse desempenho de forma permanente, analisando indicadores e projetando cenários a partir do sistema de contas trimestrais do estado. Esse monitoramento nos permite avaliar tendências e orientar o planejamento das políticas públicas. Pelas estimativas mais recentes, há espaço para um resultado ainda mais positivo, com o PIB estadual podendo alcançar cerca de R$ 80,9 bilhões em 2025”, afirma Parizzoto.

Infraestrutura logística amplia competitividade

A expansão da infraestrutura de transporte e logística está entre os fatores associados ao crescimento econômico do estado. O Tocantins passou a integrar corredores logísticos nacionais, o que contribui para o escoamento da produção e para a redução de custos no transporte.

Entre os empreendimentos citados está a Ferrovia Norte-Sul, que liga o interior do país a portos das regiões Norte, Nordeste e Sudeste, além de estimular a formação de polos logísticos no estado.

A rodovia BR-153 (Belém-Brasília) também exerce papel relevante ao cortar o território tocantinense de norte a sul, sendo utilizada no transporte de grãos, carnes e insumos agrícolas. Já a BR-010 amplia a conexão com o Maranhão e com portos do Arco Norte, facilitando rotas de exportação.

Outro destaque é a Plataforma Multimodal de Porto Nacional, que integra modais ferroviário e rodoviário, ampliando a capacidade de armazenamento e distribuição de cargas agrícolas, como soja e milho. Essas estruturas estão relacionadas à redução de custos logísticos e à maior eficiência no transporte.

No campo da infraestrutura ferroviária, há ainda a instalação de empreendimentos no Terminal Ferroviário Integrador de Palmeirante, onde operam empresas como a Mosaic, voltada à produção de fertilizantes, e a Ultracargo, na área de armazenagem de combustíveis. Em Gurupi, o Terminal de Transbordo Ferroviário é utilizado pela Fazendão Agronegócio para armazenamento e escoamento de grãos.

Agronegócio lidera expansão da economia

O Tocantins integra a região do Matopiba, que reúne áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia e tem sido associada à expansão agrícola no país.

Nas últimas décadas, a produção no campo avançou com o uso de tecnologia, mecanização e ampliação das áreas cultivadas.

Na safra 2024/2025, o estado produziu cerca de 9,46 milhões de toneladas de grãos, conforme dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A soja representou aproximadamente 62% desse total, com cerca de 5,8 milhões de toneladas.

Além da produção primária, houve crescimento de atividades relacionadas, como agroindústria, comércio regional e serviços vinculados à cadeia do agronegócio.

Exportações ampliam presença internacional do estado

O aumento da produção também se refletiu no comércio exterior. Em 2025, o Tocantins registrou US$ 3 bilhões em exportações, com crescimento de 21,7% em relação ao ano anterior.

Entre os produtos exportados estão soja, com US$ 1,6 bilhão; carne bovina, com US$ 643 milhões; e ouro, com US$ 197 milhões.

A China aparece como principal destino das exportações do estado, concentrando mais da metade das compras, seguida por países da Ásia e da Europa. O município de Porto Nacional responde por cerca de 18% do total exportado pelo Tocantins.

Planejamento econômico orienta crescimento

Segundo o governador Wanderlei Barbosa, o desempenho econômico está relacionado à atuação conjunta entre governo, setor produtivo e sociedade. “O estado tem se consolidado entre as unidades da federação que mais crescem no país, reflexo de políticas voltadas ao fortalecimento da produção, à atração de investimentos e à criação de um ambiente favorável ao desenvolvimento. O Tocantins ocupa posição de destaque entre os estados que mais crescem no Brasil. Esse resultado mostra que estamos no caminho certo ao fortalecer a produção, ampliar investimentos e garantir um ambiente favorável ao desenvolvimento”, afirma.

Ele também menciona que a gestão estadual pretende manter investimentos em infraestrutura, inovação e industrialização, com foco na competitividade e no valor agregado da produção local.

Indicadores econômicos do Tocantins

Entre 1995 e 2025, o estado registrou crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) de 593,8%, o segundo maior do Brasil. Nesse período, o PIB estadual passou de R$ 1,84 bilhão, em 1995, para R$ 75,25 bilhões em 2025.

No comércio exterior, o Tocantins alcançou, em 2025, um total de US$ 3 bilhões em exportações, com crescimento anual de 21,7%. A pauta exportadora é composta principalmente por soja, carne bovina e ouro.

No setor agropecuário, a safra de grãos chegou a 9,4 milhões de toneladas, com destaque para a produção de soja, que atingiu 5,8 milhões de toneladas. As exportações têm como principais destinos a China e outros países da Ásia.