Tocantins registra melhor Ideb da série histórica, mas anos finais do ensino fundamental seguem como desafio
06 agosto 2026 às 16h39

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O Tocantins alcançou, em 2025, o melhor resultado da série histórica do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), com avanço nos anos iniciais do ensino fundamental e no ensino médio. Apesar da evolução, os dados divulgados pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) mostram que os anos finais do ensino fundamental continuam sendo um dos principais desafios da educação no estado.
Nos anos iniciais do ensino fundamental, o Ideb passou de 5,6 em 2023 para 5,9 em 2025. Nos anos finais, o índice permaneceu em 4,9, sem evolução. Já o ensino médio registrou leve alta, passando de 4,2 para 4,3.
Na rede pública, o cenário é mais desigual. Enquanto os anos iniciais avançaram de 5,4 para 5,8, os anos finais recuaram de 4,8 para 4,7. No ensino médio, o índice permaneceu estável em 4,1.
Para o ministro da Educação, Leonardo Barchini, o resultado representa um marco para o estado.
“Os resultados revelam que Tocantins teve, em 2025, seus melhores resultados no indicador brasileiro. Esse é o melhor Ideb da série histórica, provando que a escola dos nossos filhos é melhor que a escola que nós tivemos”, afirmou.
Aprendizagem apresenta oscilações
Os resultados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), utilizado na composição do Ideb, indicam que a melhoria do índice não foi acompanhada por avanço em todas as etapas da aprendizagem.
No 5º ano do ensino fundamental, houve crescimento nas duas disciplinas avaliadas. Em língua portuguesa, a média passou de 202,77 para 208,65 pontos. Em matemática, o desempenho subiu de 213,11 para 220,92 pontos.
Já no 9º ano do ensino fundamental, os estudantes apresentaram queda nas duas áreas. A média em português caiu de 252,17 para 248,81 pontos, enquanto em matemática passou de 251,02 para 250,22 pontos.
No 3º ano do ensino médio, a média em língua portuguesa também diminuiu, passando de 267,51 para 265,70 pontos. Em matemática, houve leve melhora, de 265,38 para 266,86 pontos.
Os resultados mostram que, embora o Ideb tenha avançado em parte das etapas, ainda persistem dificuldades para elevar o desempenho dos estudantes, especialmente nos anos finais do ensino fundamental.
Como é calculado o Ideb
Criado em 2007, o Ideb combina dois indicadores: o desempenho dos estudantes nas provas do Saeb, que avaliam conhecimentos em língua portuguesa e matemática, e as taxas de aprovação obtidas pelo Censo Escolar. Dessa forma, o índice mede simultaneamente a aprendizagem e o fluxo escolar.
Em todo o país, o Saeb 2025 avaliou 5,9 milhões de estudantes, distribuídos em 73,7 mil escolas e 247,7 mil turmas. Segundo o MEC, todas as unidades da federação registraram avanço nos anos iniciais do ensino fundamental. Nos anos finais, 24 estados melhoraram seus índices, dois permaneceram estáveis e um apresentou queda. Já no ensino médio, 23 estados avançaram, três mantiveram os resultados de 2023 e um registrou recuo.
O que diz a Seduc
A Secretaria de Estado da Educação do Tocantins (Seduc) informa que os resultados do Ideb 2025 evidenciam avanços importantes e também desafios da educação básica.
O crescimento do índice dos anos iniciais do ensino fundamental da rede pública, de 5,4 para 5,8, reflete os resultados das ações desenvolvidas em regime de colaboração entre Estado e municípios, com foco na alfabetização na idade certa. Nesse contexto, o Tocantins ampliou o percentual de crianças alfabetizadas na idade certa de 44% para 61% em 2025, superando a meta nacional de 55%.
Em relação aos anos finais do ensino fundamental da rede estadual, a Seduc esclarece que o índice do Ideb 2025 permaneceu em 4,7, mantendo o mesmo patamar da edição anterior. Portanto, não houve redução do indicador nessa etapa. A queda de 4.8 para 4.7, divulgada pelo Ministério da Educação refere-se à todas as escolas públicas e não somente à rede estadual.
Nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio, os resultados ainda refletem os impactos da pandemia de Covid-19 sobre a aprendizagem. Os estudantes avaliados nessas etapas estavam nos anos iniciais durante o período de suspensão das aulas presenciais, justamente na fase em que ocorre a consolidação da alfabetização e das competências fundamentais de leitura, escrita e raciocínio matemático. Essas lacunas repercutem diretamente nos indicadores atuais, especialmente em Língua Portuguesa, área em que o desafio é mais evidente.
A rede estadual manteve índice 4,1 no ensino médio e segue entre os melhores desempenhos da Região Norte. O estado também apresenta indicadores positivos de fluxo escolar, com taxa de aprovação de 96%, redução da distorção idade-série no ensino médio de 26,1% em 2021 para 11% em 2025, redução do abandono escolar de 2,1% em 2023 para 1,2% em 2025 e ampliação da participação dos estudantes no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb).
A participação das escolas tocantinenses no Saeb também cresceu de forma expressiva nos últimos ciclos. O número de unidades participantes passou de 123, em 2021, para 280, em 2023, um aumento de 127,6%. Em 2025, o total chegou a 343 escolas urbanas, crescimento de 22,5% em relação à edição anterior. Na comparação entre 2021 e 2025, o aumento acumulado foi de 178,9%, praticamente triplicando o número de escolas participantes. Em 2025, o Tocantins registrou a maior taxa de participação de estudantes do país na avaliação com 95% de participação. Essa ampliação da participação fortalece a confiabilidade dos resultados, pois aumenta a representatividade da avaliação e oferece um retrato mais fiel da aprendizagem dos estudantes, o que contribui para o planejamento de ações pedagógicas mais eficientes.
A estratégia da Seduc para enfrentar os desafios identificados está fundamentada em um planejamento de longo prazo, alinhado às metas do Ideb 2030. As ações priorizam o fortalecimento da aprendizagem desde os anos iniciais, a recomposição das habilidades e competências afetadas pela pandemia e o acompanhamento contínuo do desempenho dos estudantes, especialmente em Língua Portuguesa e Matemática, de forma a reduzir as lacunas de aprendizagem ao longo de toda a educação básica.
