Tocantins tem mais de 12 mil inquéritos em andamento na Polícia Federal; apenas 18% dos concluídos resultaram em indiciamento
23 julho 2026 às 15h57

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A Polícia Federal mantém 12.843 inquéritos em andamento no Tocantins, segundo dados obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI). No mesmo período, entre janeiro de 2016 e abril de 2026, foram 120.192 inquéritos concluídos no estado.
Desse total, 21.425 investigações terminaram com indiciamento, quando a Polícia Federal conclui haver provas da materialidade do crime e indícios suficientes de autoria. O número representa aproximadamente 17,8% dos inquéritos encerrados no Tocantins.
Os dados indicam que a maior parte das investigações concluídas no estado foi encerrada sem indiciamento, situação que pode ocorrer por ausência de provas da ocorrência do crime, falta de identificação do autor ou outros elementos insuficientes para responsabilização criminal.
No cenário nacional, o levantamento mostra que a Polícia Federal instaurou 618 mil inquéritos entre 2016 e abril de 2026. Desse total, 55 mil permanecem em tramitação, enquanto 562 mil foram concluídos.
Entre os procedimentos finalizados em todo o país, cerca de 447 mil (79%) foram encerrados sem comprovação da materialidade do crime ou sem definição da autoria. Em contrapartida, aproximadamente 115 mil investigações (21%) resultaram em indiciamento.
Após a conclusão do inquérito, a Polícia Federal encaminha o relatório à Justiça, que remete o procedimento ao Ministério Público. Cabe ao MP decidir se oferece denúncia, solicita novas diligências ou pede o arquivamento do caso (com informações do Metrópoles).
Confira o que diz a PF
A Polícia Federal no Tocantins esclarece que não é tecnicamente correto afirmar que todo inquérito encerrado sem indiciamento “terminou sem identificar crimes ou autores”.
No âmbito da Polícia Federal, o indiciamento não é o único resultado possível de um inquérito policial, nem o único parâmetro utilizado para aferir sua solução. Considera-se o inquérito quando há verificação da materialidade e da autoria do crime investigado, com ou sem indiciamento, ou quando se constata a inexistência de crime.
Além disso, é necessário o registro de que investigações de crimes de menor potencial ofensivo, ou mesmo aquelas retomadas a partir de investigações iniciadas pelas polícias civis, já com indiciamentos nessas forças, não repercutem em indiciamentos nos sistemas da PF.
Nesse contexto, é importante destacar que o período analisado pela reportagem (2016 a 2026) abrange informações provenientes de sistemas distintos de gestão de inquéritos, com regras diferentes para o registro de informações. A tramitação integralmente eletrônica das investigações pela Polícia Federal passou a ocorrer apenas a partir de novembro de 2022, com a implantação do ePol, sistema que passou a concentrar todos os inquéritos da instituição.
A partir do pleno funcionamento do E-pol, os indicadores nacionais produzidos exclusivamente a partir desse sistema demonstram índices de solução elevados: 83,51% em 2023, 85,03% em 2024 e 85,25% em 2025.
No mesmo período, o estoque de inquéritos em andamento foi reduzido de 76.923 para 47.770, enquanto o tempo médio de tramitação das investigações caiu de 768 para 452 dias, evidenciando o aperfeiçoamento contínuo da atividade investigativa da Polícia Federa
