A eleição de 2018 ajuda a entender o tamanho real da disputa pelas duas vagas do Tocantins no Senado em 2026. Naquele ano, 831.214 eleitores compareceram às urnas e, como cada um podia escolher dois candidatos, havia um universo de 1.662.428 votos possíveis para senador. Desse total, 1.274.703 foram votos válidos dados aos candidatos. Outros 311.558 foram nulos e 76.167, brancos. Somados, brancos e nulos chegaram a 387.725 — quantidade superior à votação individual de qualquer candidato naquele pleito.

Eduardo Gomes terminou em primeiro, com 248.358 votos, e Irajá Abreu conquistou a segunda cadeira, com 214.355. Isso significa que o volume de votos brancos e nulos ficou 139.367 acima da votação do primeiro colocado e 173.370 acima da votação necessária para ocupar a segunda vaga naquela eleição. A comparação exige uma ressalva: os 387.725 não representam necessariamente o mesmo número de eleitores, porque cada pessoa tinha duas oportunidades de votar para senador. Ainda assim, o número mostra quanto do universo disponível ficou fora da votação válida. Votos brancos e nulos não entram na apuração dos eleitos.

A conta será ainda maior em 2026. O Tocantins tem 1.182.307 eleitores aptos, segundo dados divulgados pela Justiça Eleitoral em julho. Se todos fossem às urnas e utilizassem as duas escolhas, seriam até 2.364.614 votos possíveis para o Senado. Esse teto, porém, não será o universo efetivamente disputado pelos candidatos: primeiro é preciso descontar quem não comparecer e, depois, os votos brancos e nulos em cada uma das duas escolhas.

É por isso que não existe hoje um número de votos capaz de assegurar uma cadeira. Em 2018, Irajá foi eleito em segundo lugar com 214.355 votos dentro de um universo de 1,27 milhão de votos válidos. César Halum ficou fora com 184.235, uma diferença de pouco mais de 30 mil votos. Em 2026, o eleitorado é maior, mas o resultado dependerá novamente de quantos eleitores forem às urnas, quantos usarão os dois votos de forma válida e de como essas escolhas serão distribuídas entre os candidatos. A eleição de oito anos atrás deixa uma referência clara: numa disputa por duas cadeiras, o segundo voto que o eleitor deixa em branco, anula ou entrega a outro candidato também ajuda a definir onde estará a linha de corte para chegar ao Senado.