O Tocantins está entre os três estados finalistas na disputa para receber o primeiro colégio da rede internacional United World Colleges (UWC) na América do Sul. Nesta terça-feira, 3, o governador Wanderlei Barbosa recebeu uma comitiva da organização no Palácio Araguaia Governador José Wilson Siqueira Campos, em Palmas, para apresentar as condições oferecidas pelo estado. A área indicada para a instalação da unidade fica em Luzimangues, distrito de Porto Nacional.

A proposta do Tocantins concorre com candidaturas do Amapá e de Rondônia. Caso seja escolhido, o estado poderá sediar a 19ª unidade da rede, que reúne instituições de ensino em diferentes países.

“Somos o estado mais novo da Federação e estamos no centro do Brasil. Fomos pré-selecionados, porque atendemos aos pré-requisitos e colocamos todos os setores do Governo à disposição, como segurança, educação e saúde. Esperamos ser contemplados”, afirmou Wanderlei Barbosa, que também abordou os investimentos em infraestrutura, a descentralização dos serviços de saúde e a ampliação da rede hospitalar.

A representante da UWC Brasil, Inês Kavamura, explicou que o movimento promove a convivência entre jovens de diferentes países, culturas e condições socioeconômicas. “A proposta é reunir a maior diversidade possível e reduzir as diferenças, inclusive as socioeconômicas. Por isso, oferecemos bolsas parciais em todos os níveis”, ressaltou.

Também participaram da reunião o gerente do projeto UWC Amazônia Brasil, Francisco Felinto; o diretor-executivo do Consórcio Amazônia Legal, João Vilela; a secretária-executiva da entidade, Vanessa Duarte; e o prefeito de Porto Nacional, Ronivon Maciel Gama. O encontro contou ainda com representantes da Prefeitura de Palmas, secretários estaduais e integrantes de instituições parceiras.

Educação internacional com identidade amazônica

Fundado em 1962, no País de Gales, no Reino Unido, a partir das ideias do educador Kurt Hahn, o movimento UWC conta atualmente com 18 colégios em diferentes regiões do mundo. O modelo educacional associa formação acadêmica, intercâmbio cultural e atividades de serviço comunitário relacionadas às características de cada localidade. Na Noruega, por exemplo, os estudantes desenvolvem ações com a Cruz Vermelha; no Canadá, participam de atividades ligadas à biologia marinha.

A proposta para o Brasil busca combinar a formação internacional com os conhecimentos dos povos originários, a biodiversidade amazônica e as questões relacionadas às mudanças climáticas.

O projeto prevê a construção de um câmpus residencial com capacidade para 215 estudantes, divididos em duas turmas do programa de Bacharelado Internacional e uma etapa preparatória. O investimento global estimado é de US$ 240 milhões, valor que considera tanto a implantação quanto a manutenção da instituição no longo prazo.

Segundo a secretária-executiva do Consórcio Amazônia Legal, Vanessa Duarte, seis estados participaram de uma das etapas do processo seletivo, dos quais três avançaram por cumprir os critérios estabelecidos. “Como bloco da Amazônia, conseguimos ir além do que cada estado faria sozinho. Independentemente de onde a escola for construída, todos os estados serão beneficiados”, declarou.

Estrutura e potencial do Tocantins

O Tocantins integra a Amazônia Legal e possui áreas de transição entre os biomas Cerrado e Amazônia, a exemplo do Parque Estadual do Cantão. Durante o encontro, o governador apresentou características ambientais do estado e sugeriu que a comitiva conhecesse iniciativas da Secretaria de Estado dos Povos Originários e Tradicionais (Sepot) e dos órgãos ambientais. As atividades desenvolvidas por essas instituições poderão ser relacionadas às ações de serviço comunitário previstas no modelo educacional da UWC.

A localização próxima a Palmas e a oferta de serviços de saúde, segurança, educação e transporte também foram apresentadas como aspectos considerados na candidatura tocantinense.

Na reunião, o comandante-geral da Polícia Militar do Tocantins (PMTO), coronel Cláudio Thomaz Coêlho de Souza, e o secretário de Estado da Segurança Pública, Luciano Barbosa de Souza Cruz, expuseram a estrutura policial disponível na região. Já o secretário de Estado da Saúde, Carlos Felinto, apresentou informações sobre a rede de atendimento e os serviços de saúde oferecidos à população.

A Secretaria de Estado da Indústria, Comércio e Serviços abordou aspectos do desenvolvimento econômico e da logística estadual. O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), por sua vez, apresentou informações sobre o potencial turístico do Tocantins.

Visitas técnicas e escolha da sede

A agenda da comitiva inclui, nesta terça-feira, 3, visitas às estruturas de segurança pública e ao terreno indicado em Luzimangues para a implantação do colégio. Na quarta-feira, 4, estão previstas visitas às obras do Hospital da Mulher, a unidades de ensino e a estabelecimentos comerciais. A programação também inclui a apresentação de informações sobre saúde, educação e desenvolvimento urbano.

A escolha do estado que receberá a instituição está prevista para a segunda quinzena de novembro, em articulação com a UWC International.

Se o Tocantins for selecionado, o projeto prevê a instalação de uma instituição de ensino internacional voltada à formação de jovens de diferentes países. A proposta inclui oportunidades de intercâmbio cultural, pesquisa e atividades relacionadas ao desenvolvimento sustentável na Amazônia.