Três servidores públicos são afastados durante investigação sobre esquema de agiotagem em Guaraí e Palmas
24 abril 2026 às 08h23

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Mandados de prisão preventiva, busca e apreensão e suspensão de funções públicas foram cumpridos na manhã desta sexta-feira, 24, durante a Operação Nêmesis, deflagrada pela Polícia Civil do Tocantins. Ao todo, foram executadas quatro prisões, seis buscas e três afastamentos de cargos, conforme determinação judicial.
De acordo com a corporação, a investigação aponta a atuação de uma associação criminosa voltada à cobrança ilegal de dívidas, com indícios de práticas como usura pecuniária e extorsão qualificada. O grupo, ainda segundo a polícia, operava de forma estruturada, com divisão de tarefas entre os integrantes, dos quais três são servidores públicos, sendo um contratado e dois efetivos.
O caso envolve um empresário de 45 anos e a mãe dele, de 65, que relataram ameaças relacionadas a empréstimos com juros elevados. Segundo a investigação, a dívida teve início em Guaraí, após negociação com um dos suspeitos, identificado pelas iniciais F.A.G.A, de 52 anos. Ao longo de mais de dois anos, os encargos mensais teriam chegado a cerca de R$ 4 mil, o que dificultou a quitação.
Ainda conforme a polícia, mesmo depois da venda de um estabelecimento comercial em Guaraí, o débito não foi considerado encerrado. Após mudança para Palmas, onde o empresário abriu novo negócio, as cobranças teriam se intensificado e em 25 de fevereiro de 2026, o local teria sido invadido por indivíduos que exigiam pagamento sob ameaça.
Durante uma das ações, a mãe do empresário teria sido intimidada com a exibição de arma de fogo e um dos suspeitos teria simulado o registro de ocorrência policial como forma de pressionar o pagamento da dívida.
Com base em elementos como mensagens e registros audiovisuais, a Justiça autorizou as medidas cautelares. Também foram cumpridos mandados de busca em endereços ligados aos investigados, inclusive em locais relacionados às funções públicas exercidas por parte deles. Os três servidores envolvidos foram afastados dos cargos por 60 dias, conforme informou a Polícia Civil, como forma de evitar a continuidade das condutas apuradas.
A operação foi conduzida pela 1ª Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado (1ª DEIC – Palmas), com apoio de equipes da Diretoria de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado, Divisão Especializada de Repressão a Narcóticos, 6ª DEIC, Divisão Especializada de Repressão a Crimes Contra a Ordem Tributária e Grupo de Operações Táticas Especiais.
