Dois anos após ganhar projeção nacional nas redes sociais, o tocantinense Rick Azevedo, fundador do movimento Vida Além do Trabalho (VAT), vê a pauta que ajudou a impulsionar avançar no Congresso Nacional. Em abril de 2026, propostas que tratam do fim da escala 6×1 já estão em análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados.

Natural de Dianópolis, no sudeste do Tocantins, Rick morou em Palmas e em Taipas. Ele foi eleito vereador do Rio de Janeiro em 2024 e se tornou um dos principais rostos da mobilização pelo tema. O movimento que ele ajudou a criar está diretamente ligado à origem de uma das Propostas de Emenda à Constituição (PECs) que agora tramitam na Câmara.

Na quarta-feira, 15, o relator das propostas na CCJ, deputado Paulo Azi (União-BA), apresentou parecer favorável à admissibilidade dos textos, etapa inicial da tramitação. A votação, no entanto, foi adiada após pedido de vista da oposição e deve ocorrer em até 15 dias.

“Já era esperado. Como sempre, o PL tentando atrasar a pauta da classe trabalhadora. Mas isso não vai impedir que a gente continue avançando aqui no Congresso. O projeto de urgência já foi protocolado e segue caminhando. Agora é mobilização nas ruas. Tô indo pras ruas de Brasília e a gente vai tomar as ruas do Brasil pelo fim da escala 6×1, pela diminuição da jornada de trabalho, pelo respeito à classe trabalhadora, pela saúde e pela convivência familiar. Seguimos na luta”, disse Rick.

A discussão atual no Congresso gira em torno de diferentes modelos de redução da jornada de trabalho. Entre eles, a proposta apresentada pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP), inspirada no movimento VAT, prevê a adoção de uma jornada de quatro dias por semana. Outro texto, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), propõe a redução para 36 horas semanais.

A trajetória de Rick Azevedo ajuda a explicar como o tema chegou até esse ponto. Antes de entrar para a política, ele trabalhava como caixa de farmácia no Rio de Janeiro e passou por diferentes funções no setor de serviços. A experiência com jornadas extensas motivou a publicação de um vídeo nas redes sociais, em 2023, no qual criticava a escala 6×1 — regime em que o trabalhador atua seis dias e folga apenas um.

O conteúdo viralizou e deu origem ao movimento Vida Além do Trabalho. A mobilização rapidamente ganhou escala nacional, com abaixo-assinado, articulação digital e atos presenciais. A pauta chegou ao Congresso em 2024, com a apresentação da PEC por Erika Hilton.

Naquele mesmo ano, Rick foi eleito vereador com mais de 29 mil votos, sendo o mais votado do PSOL no Rio de Janeiro. Desde então, passou a atuar institucionalmente na defesa da redução da jornada de trabalho.

Agora, em 2026, o debate entra em uma fase mais concreta dentro do Legislativo. Caso as propostas avancem na CCJ, o próximo passo será a criação de uma comissão especial para discutir o mérito — etapa em que pontos como modelo de jornada, prazo de transição e impacto econômico devem ser aprofundados.

Enquanto isso, o tema segue dividindo opiniões entre parlamentares e setores da economia. Representantes do setor produtivo apontam possíveis impactos sobre custos e geração de empregos, enquanto defensores da proposta argumentam que a medida pode melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores e estimular ganhos de produtividade.