Vicentinho usa ato em Porto Nacional para projetar chapa ampla e discurso de confronto ao Palácio Araguaia
16 maio 2026 às 00h52

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O deputado federal Vicentinho Júnior (PSDB), transformou o evento político realizado em Porto Nacional, na noite desta sexta-feira, 15, em uma espécie de lançamento ampliado da estrutura que pretende levar para a disputa ao Palácio Araguaia em 2026. Diante de um auditório lotado, o pré-candidato ao governo misturou referências pessoais, religiosidade, ataques indiretos ao governo estadual, defesa de mudanças na gestão pública e recados ao próprio campo político.
Ao falar da montagem das chapas proporcionais, Vicentinho citou uma longa lista de aliados e pré-candidatos ligados ao PSDB e partidos próximos. O deputado associou o projeto eleitoral à necessidade de eleger uma bancada federal numerosa. “O governador eleito ao longo da história sempre levou de três a quatro deputados federais”, afirmou, ao defender uma composição que dê sustentação política a um eventual governo.
Sem citar diretamente o governador Wanderlei Barbosa, Vicentinho afirmou que o Tocantins vive um período de silêncio e criticou a relação entre o Palácio Araguaia e veículos de comunicação. Disse que profissionais da imprensa teriam sido pressionados por não seguirem uma “cartilha” política. Em um dos trechos mais duros do discurso, afirmou que não pretende manter uma relação baseada em “assessoria de governo” e defendeu uma imprensa voltada à divulgação dos problemas e potencialidades do estado. “O Tocantins é maior que todos nós”, declarou.
O discurso também foi marcado por referências à própria trajetória política e pessoal. Vicentinho relembrou passagens da infância e da juventude em Porto Nacional, citou o pai, o ex-senador Vicentinho Alves, e associou a pré-candidatura ao período de beatificação de Padre Luso, figura histórica ligada à cidade. Em diversos momentos, buscou reforçar a imagem de uma campanha construída “sem ódio e sem medo”, expressão repetida ao longo da fala.
Na parte administrativa, o parlamentar concentrou críticas em áreas como saúde, segurança pública e educação. Disse que o problema da saúde estadual não se resume ao Hospital Geral de Palmas e citou falta de policiamento ostensivo em dezenas de municípios. Também questionou gastos da rede hospitalar estadual e afirmou que o estado enfrenta problemas de gestão, não de arrecadação. Ao mencionar escolas sem estrutura adequada e cobranças de servidores da educação, tentou aproximar o discurso de pautas do funcionalismo público.
Vicentinho ainda procurou apresentar o evento como demonstração de mobilização popular e organização política. Citou caravanas do interior, estudantes que acompanharam a transmissão online e a estrutura montada para receber apoiadores e imprensa. Em outro momento, fez questão de justificar a realização separada do ato político em relação a outros grupos da oposição. “Deixa eles fazerem a festa deles, que já já vem a nossa”, afirmou.
Ao lado de aliados como Alexandre Guimarães e Amélio Cayres, Vicentinho tentou consolidar no discurso a ideia de um grupo político em expansão, apostando na ocupação regional e na construção simultânea de candidaturas proporcionais e majoritária. O tom adotado na fala indicou que a pré-campanha deve combinar memória pessoal, presença no interior e críticas diretas à condução administrativa do estado.
