A possibilidade de um acordo de delação premiada envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro passou a ganhar mais espaço nos últimos dias, em meio ao avanço das investigações que apuram fraudes relacionadas ao Banco Master.

Há cerca de uma semana, Vorcaro trocou sua defesa, deixando o advogado Pierpaolo Bottini e contratando José Luís Oliveira Lima, conhecido como Juca, especialista em negociações de colaboração premiada. Desde então, o ex-banqueiro recebeu, em média, três visitas diárias de seus defensores, totalizando 13 atendimentos na Penitenciária Federal de Brasília.

Nesta quarta-feira, 18, Oliveira Lima procurou a Polícia Federal e o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, em busca de abrir caminho para um eventual acordo de delação. O advogado se reuniu inicialmente com Vorcaro no presídio e, em seguida, teve encontros com delegados responsáveis pela investigação e com o relator do caso no STF.

As reuniões têm como objetivo avaliar a disposição dos investigadores em negociar os termos da colaboração e o entendimento do ministro, que será responsável por validar um eventual acordo.

Nos últimos três dias, as conversas se intensificaram, ampliando as expectativas sobre uma possível delação. Nessa quarta-feira, Mendonça autorizou a prorrogação do inquérito por mais 60 dias, atendendo a um pedido da Polícia Federal.

Segundo os investigadores, o prazo adicional é necessário para a realização de diligências consideradas essenciais, como a análise de documentos e a perícia em aparelhos eletrônicos apreendidos — entre eles, nove celulares encontrados com Daniel Vorcaro. Ao deferir o pedido, o ministro destacou a necessidade de aprofundamento das investigações.

O inquérito apura irregularidades na tentativa de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). Inicialmente, o prazo para conclusão das investigações se encerraria em 16 de janeiro, mas já havia sido prorrogado anteriormente e venceu novamente na última semana.

A apuração faz parte da Operação Compliance Zero, deflagrada em novembro de 2025, que investiga um rombo estimado em até R$ 12 bilhões. Caso as suspeitas sejam confirmadas, os envolvidos podem responder por crimes como lavagem de dinheiro, gestão temerária, corrupção ativa e passiva, além de obstrução de Justiça.