A pré-campanha da senadora Dorinha Seabra ao Palácio Araguaia chega a 2026 com um ativo que costuma pesar em eleições estaduais: uma ampla rede de apoios políticos distribuída pelo território tocantinense. Pré-candidata pela Federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas, Dorinha reúne em torno de seu projeto o governador Wanderlei Barbosa, o prefeito de Palmas, Eduardo Siqueira Campos, parlamentares federais e prefeitos de todas as regiões do estado. Aliados afirmam que mais de 90 dos 139 prefeitos tocantinenses já integram a aliança, número que, se confirmado nas convenções, colocará a senadora à frente de uma das maiores estruturas políticas já montadas para uma disputa estadual recente.

Além da presença nos municípios, Dorinha chega à pré-campanha respaldada por uma trajetória de mais de uma década no Congresso Nacional, período em que construiu relações políticas e direcionou emendas parlamentares para diferentes regiões do estado. Ao redor da senadora estão nomes de peso da bancada federal e da disputa majoritária, como o senador Eduardo Gomes, pré-candidato à reeleição, os deputados federais Carlos Gaguim e Eli Borges, ambos pré-candidatos ao Senado, além dos deputados federais Ricardo Ayres e Tiago Dimas, que devem buscar a reeleição para a Câmara. O desenho dessa aliança amplia a presença do grupo nos municípios e reforça a capacidade de mobilização política da pré-candidata.

É justamente esse conjunto de fatores que impõe o principal desafio ao deputado federal Vicentinho Júnior, pré-candidato do PSDB ao governo. Sem contar com a mesma quantidade de prefeitos e lideranças municipais alinhadas ao seu projeto, o tucano precisa encontrar uma forma de transformar uma estrutura menor em uma candidatura que não irá perder força diante da estrutura apresenta por sua principal rival. A avaliação é que a estratégia passa pela intensificação do contato direto com o eleitor, reduzindo a dependência dos intermediários tradicionais e fortalecendo a imagem pessoal do candidato.

Os movimentos recentes da pré-campanha indicam que esse caminho já começou a ser desenhado. A tendência é que Vicentinho amplie a presença em agendas regionais, aposte em encontros menores e invista em uma comunicação voltada para as redes sociais, com linguagem mais direta e foco na trajetória pessoal e nas propostas do candidato. Nesse modelo, vereadores, suplentes, ex-prefeitos e lideranças comunitárias ganham relevância não necessariamente pelo tamanho de suas bases eleitorais, mas pela capacidade de abrir espaços e facilitar o diálogo com a população.

O desafio do marketing tucano será transformar essa estratégia em percepção eleitoral. Mais do que apresentar propostas, a campanha precisará construir a imagem de um candidato presente, acessível e capaz de estabelecer conexão direta com o eleitorado. Quanto maior a estrutura política reunida em torno de Dorinha, maior tende a ser a necessidade de Vicentinho ampliar sua presença física nas cidades e consolidar uma comunicação capaz de ultrapassar as barreiras impostas pela força institucional da adversária.

Enquanto Dorinha trabalha para consolidar a imagem de continuidade de um grupo político que controla o governo estadual e reúne parte expressiva das lideranças municipais, Vicentinho tenta ocupar um espaço diferente no debate eleitoral. A disputa pelo Palácio Araguaia ainda está em fase virtual, mas os movimentos já revelam traços das estratégias. De um lado, a força de uma ampla coalizão política distribuída pelos municípios. Do outro, a tentativa de compensar uma estrutura menor com presença regional, comunicação e proximidade com o eleitor. Nos próximos meses, a capacidade de transformar esses ativos em votos deve definir o tamanho real de cada candidatura.