O Tocantins que sai das urnas exige mais do próximo governo
25 outubro 2026 às 11h59

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O Tocantins chega ao segundo turno das eleições de 2026 diante de uma escolha que vai além dos nomes de Professora Dorinha Seabra (União Brasil) e Vicentinho Júnior (PSDB). O próximo governador ou governadora assumirá um estado com potencial de crescimento econômico, demandas acumuladas por serviços públicos e a necessidade de assegurar estabilidade política e administrativa. Independentemente do resultado das urnas, a cobrança será por um governo capaz de transformar promessas eleitorais em resultados concretos.
A estabilidade institucional será um dos primeiros desafios. As crises políticas e jurídicas que atingiram o governo estadual nos últimos anos demonstraram como disputas pelo poder e investigações podem interferir na administração pública. O próximo ocupante do Palácio Araguaia precisará estabelecer uma relação funcional com a Assembleia Legislativa, os órgãos de controle e os municípios, além de garantir previsibilidade às decisões administrativas. Não se trata apenas de construir uma maioria política, mas de assegurar que o funcionamento do Estado não dependa permanentemente dos interesses de grupos ou das circunstâncias eleitorais.
Na economia, o Tocantins reúne condições para avançar, sobretudo pela força do agronegócio, pela localização geográfica e pelo potencial logístico. O desafio será fazer com que essa atividade econômica produza oportunidades para uma parcela maior da população. A expansão da produção agropecuária, por exemplo, não resolve isoladamente a necessidade de empregos qualificados, renda e diversificação da economia. O próximo governo terá de enfrentar questões relacionadas à industrialização, à atração de investimentos, à qualificação profissional e ao fortalecimento dos pequenos negócios. Para o jovem que conclui os estudos e procura o primeiro emprego, o crescimento econômico precisa representar uma possibilidade real de permanecer no estado e construir sua vida profissional.
Na saúde, a distância entre os anúncios oficiais e a experiência de quem depende do Sistema Único de Saúde continuará como um dos principais pontos de cobrança. A situação do Hospital Geral de Palmas, as dificuldades nos serviços especializados, a espera por cirurgias e a necessidade de deslocamento de pacientes do interior revelam problemas que não serão resolvidos apenas com novas estruturas físicas. O próximo governo terá de assegurar equipes, medicamentos, exames, atendimento especializado e continuidade dos tratamentos. Para a população, pouco importa a quantidade de investimentos anunciados quando uma consulta demora meses ou um procedimento não acontece no prazo necessário. A eficiência da saúde pública será medida, principalmente, na ponta, onde o cidadão procura atendimento.
A segurança pública também exigirá respostas que ultrapassem o aumento de efetivos e a aquisição de equipamentos. A presença de organizações criminosas, o tráfico de drogas e a violência impõem ao Estado a necessidade de fortalecer a investigação, a inteligência policial e o controle do sistema penitenciário. O desafio envolve ainda a prevenção da criminalidade e a integração entre as forças de segurança. A população espera poder circular pelas cidades, trabalhar e manter seus negócios sem que o medo faça parte da rotina. Para isso, será necessário estabelecer metas, avaliar resultados e garantir continuidade às políticas públicas.
Há ainda um componente que atravessa todas essas áreas: a capacidade de gestão. O Tocantins possui municípios com realidades econômicas e sociais distintas, o que exige políticas que considerem as necessidades de Palmas, Araguaína e Gurupi, mas também das pequenas cidades, onde a presença do poder público muitas vezes determina o acesso a serviços essenciais. Estradas, escolas, hospitais regionais, abastecimento de água e oportunidades de trabalho precisam integrar uma política de desenvolvimento que não concentre investimentos apenas nos maiores centros urbanos.
A disputa eleitoral termina neste domingo, 25, mas os problemas administrativos permanecem. Dorinha ou Vicentinho terá de administrar um estado dividido politicamente, com expectativas elevadas e cobranças que começarão antes mesmo da posse. A capacidade de dialogar com adversários, preservar a autonomia das instituições e estabelecer prioridades orçamentárias será tão importante quanto a composição do secretariado.
O eleitor não forma um grupo homogêneo, e suas prioridades variam conforme a renda, a região e o acesso aos serviços públicos. Ainda assim, há demandas que ultrapassam as divisões partidárias: atendimento médico disponível, emprego, segurança, infraestrutura e uma administração que funcione com regularidade. São questões que continuarão presentes independentemente da preferência eleitoral manifestada neste segundo turno.
O próximo governo será avaliado menos pelas alianças que o levaram ao poder e mais pela capacidade de responder a essas necessidades. A eleição define quem ocupará o Palácio Araguaia pelos próximos quatro anos. A partir de janeiro de 2027, começa uma tarefa mais complexa: administrar o Tocantins para além da disputa eleitoral.
