No Tocantins, o Republicanos reúne hoje uma das estruturas mais robustas do cenário político local. Comanda o Palácio Araguaia com o governador Wanderlei Barbosa, preside a Assembleia com Amélio Cayres e mantém nomes na Câmara Federal e na Assembleia Legislativa. Em 2024, apesar de não vencer nos maiores colégios eleitorais, elegeu mais de 50 prefeitos, ampliando capilaridade no interior. A musculatura é inegável.

O desenho de 2026, porém, coloca o partido diante de uma encruzilhada. Wanderlei não pode disputar novo mandato ao governo. No cenário ao Senado, aparece com densidade eleitoral suficiente para largar competitivo. Uma cadeira no Congresso, a partir de 2027, ganha peso adicional diante da polarização nacional, da perspectiva de embates mais duros em um eventual novo mandato presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do peso de emendas parlamentares nos estados. Ainda assim, o governador afirma que pretende concluir o mandato até 31 de dezembro e descarta renúncia em abril. A decisão contrasta com o movimento tradicional de governadores em fim de segundo ciclo.

A escolha dialoga com outro fator: o rompimento com o vice-governador Laurez Moreira, hoje pré-candidato ao Palácio. Permanecer no cargo evita a transferência da máquina a um adversário direto. Soma-se a isso a leitura de que, durante o afastamento temporário do governador no ano passado, teriam sido costurados compromissos em Brasília em torno de uma composição encabeçada pela senadora Dorinha Seabra (UB) ao governo, com o senador Eduardo Gomes (PL) e o deputado federal Carlos Gaguim ao Senado. Nesse arranjo, ao Republicanos caberia a vice. A conta é simples: presença na chapa majoritária, mas sem o comando do executivo pelos quatro anos seguintes.

Antes do afastamento, Amélio Cayres figurava como nome natural da sucessão, alinhado ao núcleo do governador. Com a nova configuração, perdeu centralidade. Recentemente, recolocou-se como pré-candidato do Republicanos ao governo. A movimentação criou duas frentes dentro do mesmo campo. Amélio fala em diálogo e composição, enquanto o grupo de Dorinha mantém a estrutura previamente desenhada. A vice segue como espaço de negociação. O impasse permanece.

No plano federal, uma eventual renúncia abriria caminho para a primeira-dama, Karynne Sotero, disputar vaga na Câmara. A projeção interna aponta potencial competitivo para uma das oito cadeiras. O partido poderia ampliar a bancada federal e, há quem fale, em buscar três assentos. Na Assembleia, a tendência é de manutenção de nomes fortes para reeleição e tentativa de crescimento. A equação envolve riscos e ganhos.

Há, entre aliados, quem defenda que a renúncia e a candidatura ao Senado garantiriam mandato de oito anos a Wanderlei, fortaleceriam a presença familiar na política estadual, com o filho já deputado estadual e o irmão na Câmara de Palmas, e deixariam aberta, em 2028, uma disputa pela prefeitura da capital. Nesse cenário, o senador manteria mandato mesmo diante de eventual derrota municipal.

Sem a renúncia, o Republicanos preserva o controle do executivo até o fim de 2026, mas pode reduzir sua influência na majoritária seguinte e no Senado. Com a renúncia, amplia presença em Brasília e reorganiza o jogo local. A decisão não é apenas pessoal. Redefine o peso do partido no estado a partir de 2027.