“Sem invenção”: nova Quaest aumenta pressão sobre Vicentinho depois de ação contra reportagem no TRE
23 setembro 2026 às 21h06

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A pressão sobre a campanha de Vicentinho Júnior (PSDB) ganhou nesta quarta-feira, 23, números que ajudam a dimensionar o momento político da candidatura. Um dia depois de a coligação do tucano obter no Tribunal Regional Eleitoral do Tocantins (TRE-TO) uma liminar contra reportagem do Jornal Opção Tocantins, a nova Quaest mostrou Dorinha Seabra (União Brasil) com 42% das intenções de voto, contra 29% de Vicentinho. A vantagem passou de nove para 13 pontos desde agosto.
A decisão judicial ocorreu depois de reportagem do Jornal Opção Tocantins relatar apreensão entre integrantes da campanha de Vicentinho nesta fase da disputa. A coligação recorreu ao TRE-TO, conseguiu a retirada do conteúdo e uma ordem para impedir a reiteração de premissas que o magistrado considerou inverídicas. O jornal cumpriu a liminar. Nas redes sociais, Vicentinho reagiu com ataques ao veículo e usou a expressão “Jornal Invenção”. O mérito da representação ainda não foi julgado.
O levantamento divulgado nesta quarta acrescenta elementos públicos ao cenário de pressão política sobre a candidatura tucana. Dorinha passou de 37% em agosto para 42% agora, avanço de cinco pontos. Vicentinho saiu de 28% para 29%. No mesmo intervalo, os indecisos recuaram de 16% para 9%.
O movimento ocorre também entre os eleitores que afirmam já ter definido o voto. Em agosto, 54% diziam considerar definitiva a escolha para governador. Agora são 68%. Os que admitiam mudar de candidato passaram de 45% para 31%. A vantagem de Dorinha, portanto, cresceu no período em que uma parcela maior do eleitorado passou a declarar uma escolha definitiva.
Os números da Quaest se somam a outro indicador público acompanhado pelo Jornal Opção Tocantins. Na atualização de 17 de setembro, o Plano Político, modelo estatístico criado pelo cientista político Vinícius Justo a partir de 16 pesquisas registradas no TSE, projetava Dorinha com 49,8% dos votos válidos, contra 33,1% de Vicentinho e 13,2% de Laurez Moreira (PSD). O Plano Político não realiza pesquisas próprias e utiliza metodologia diferente da Quaest, razão pela qual os percentuais não são diretamente comparáveis.
O que os dois levantamentos permitem observar é mais restrito: ambos registram Dorinha numericamente à frente de Vicentinho nesta fase da eleição. A Quaest permite ainda uma comparação direta com agosto e mostra que a diferença entre os dois aumentou quatro pontos no período.
Pressão dentro da campanha
A pressão indicada pelos números públicos também aparece nos relatos colhidos pela reportagem entre integrantes do grupo de Vicentinho. Fontes ligadas à campanha afirmam que há apreensão com o cenário encontrado nesta fase da eleição.
Há ainda reclamações sobre o cumprimento de acordos de campanha. Interlocutores do próprio grupo afirmam que compromissos acertados ao longo da disputa não foram atendidos como esperavam, situação que provoca insatisfação entre aliados. As fontes pediram anonimato para evitar desgaste interno.
Esse componente político ganha importância diante dos números divulgados nesta quarta. Vicentinho entra nos últimos dias de campanha com praticamente o mesmo percentual registrado pela Quaest em agosto, enquanto sua principal adversária avançou cinco pontos e a parcela de indecisos caiu sete.
A nova rodada também coloca um dado objetivo sobre a mesa depois da reação da campanha à reportagem do Jornal Opção Tocantins. Não são números atribuídos a interlocutores ou levantamentos de circulação restrita. São dados de uma pesquisa registrada na Justiça Eleitoral, encomendada pela TV Anhanguera e divulgada a poucos dias da votação.
A Quaest não determina o resultado da eleição. Registra, porém, uma fotografia mais difícil para Vicentinho do que a apresentada pelo mesmo instituto em agosto: 13 pontos atrás de Dorinha, sete pontos a menos de indecisos e um eleitorado que declara estar mais decidido. É nesse ambiente que integrantes de sua própria campanha relatam apreensão e reclamações sobre acordos na fase decisiva da disputa.
