O ex-secretário do governo do Tocantins Quesede Ayres Henrique aparece em novas mensagens atribuídas à lobista Roberta Luchsinger, investigada pela Polícia Federal e ligada a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Em uma das conversas, reveladas nesta semana, Roberta cobra de Quesede a realização de um Pix de R$ 100 mil e afirma que precisava fazer o pagamento com urgência porque um homem estava prestes a embarcar.

Quesede teve passagem por diferentes postos no Executivo tocantinense antes de atuar na Prefeitura de Goiânia. Na gestão Mauro Carlesse, foi secretário de Habitação e secretário-executivo da Secretaria de Estado da Saúde. A nomeação para o segundo cargo ocorreu em 1º de agosto de 2019. Mais tarde, já no governo Wanderlei Barbosa, ocupou a Secretaria Extraordinária de Ações Governamentais e Parcerias Público-Privadas.

A conversa agora revelada ocorreu em 8 de novembro de 2024, quando Quesede estava na Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia. Roberta cobra que ele providencie a transferência de R$ 100 mil. “Ô Quesede, tu dá um jeito de fazer esse pix, porra. Que o homem tá me cobrando, criatura”, diz a mensagem atribuída à lobista. Quesede responde: “Já tá indo”. Mais tarde, ela volta a cobrar e diz que o homem iria embarcar.

Segundo a apuração que revelou as mensagens, naquela noite Lulinha embarcou em Guarulhos com destino a Lisboa. Quesede efetuou o pagamento de R$ 100 mil para a RL Consultoria, empresa de Roberta. A transferência teria partido da conta de uma empresa comercial de Goiânia. A coincidência entre o horário da cobrança e a viagem aparece na investigação, mas as mensagens reproduzidas não identificam Lulinha como destinatário dos R$ 100 mil.

A relação entre Quesede e Roberta, segundo a mesma apuração, envolvia a busca pela liberação de recursos federais para a Prefeitura de Goiânia. A reportagem afirma que a lobista auxiliava o então secretário nesse trabalho e recebia comissões pagas por meio de contas de terceiros. Em outra conversa, de dezembro de 2023, Roberta refere-se a seu “sócio” ao falar com Quesede.

O nome do ex-integrante do governo tocantinense já havia chegado às investigações em Goiás em novembro de 2024. Naquele mês, ele foi alvo de prisão temporária em uma operação do Ministério Público de Goiás sobre suspeitas de irregularidades em contratos da Secretaria de Saúde de Goiânia. Posteriormente, Quesede se entregou à polícia em dezembro, em investigação relacionada a suspeitas de desvios na pasta.

Roberta aparece em investigações que tramitam no Supremo Tribunal Federal sobre suspeitas que incluem tráfico de influência no Ministério da Saúde e na Dataprev. As mensagens agora divulgadas também registram pagamentos e referências a “Fábio”, que a reportagem responsável pela apuração relaciona a Lulinha.

A defesa de Fábio Luís contesta essa conclusão. O advogado Marco Aurélio de Carvalho afirmou que não reconhece a autenticidade das mensagens, questionou a cadeia de custódia do material e disse que os diálogos não permitem concluir que o “Fábio” mencionado seja o filho do presidente. Segundo a defesa, Lulinha nunca recebeu dinheiro de Roberta e não participou de irregularidades.