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No Rio de Janeiro
Natividade será destaque em seminário internacional sobre patrimônio e mudanças climáticas

Experiências locais de preservação urbana e resiliência ambiental serão apresentadas no Rio de Janeiro

Descargas atmosféricas
Raios
Após início do período chuvoso, Tocantins já registrou mais de 200 mil descargas elétricas

Para amenizar danos, Energisa investiu mais de R$400 milhões na rede elétrica do Estado até agosto deste ano, com previsão de totalizar R$605 milhões até o fim deste ano

Energisa Divulgação
Clima
Inmet emite alerta de perigo potencial para chuvas intensas no Tocantins

Aviso do instituto prevê precipitações de até 50 milímetros por dia e ventos de até 60 km/h, com risco de alagamentos e descargas elétricas

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Vítimas
Bombeiros retomam buscas por pescadores atingidos por raio no Rio Tocantins

Dois homens continuam desaparecidos após embarcação ser atingida por descarga elétrica durante pescaria próximo a Filadélfia; um terceiro pescador sobreviveu com ferimentos

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Clima
Palmas enfrenta semana de calor extremo com temperaturas de até 43°C, diz Inmet 

Até 5 de outubro, a capital terá céu limpo, ausência de chuvas, índices de umidade abaixo de 20%

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Clima
Tocantins continua com risco de chuva intensas e tempestades com granizo, diz Inmet

Dos 139 municípios do estado, 123 estão sob aviso de chuvas intensas ou tempestades; população deve seguir orientações de segurança e acompanhar boletins oficiais

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Riscos
Fim de semana começa com alerta de queimadas em todo o Tocantins, aponta boletim do clima

Clima com baixa umidade, altas temperaturas e rios em níveis reduzidos favorece condições para o fogo se alastrar

Clima
Tocantins registra chuvas abaixo da média histórica em março, diz boletim 

O novo Boletim Climático aponta variações na precipitação de chuvas, além de queda nos focos de incêndio e oscilações nos níveis dos rios no Tocantins

Interdição
Tráfego na BR-153/TO é novamente interditado em Guaraí devido às chuvas

A interdição preventiva segue desde a noite de quarta-feira, 19, por conta do risco de rompimento de barragem e obras emergenciais na rodovia

O aumento das ondas de calor, as mudanças climáticas e a concentração de renda

Bonny Fonseca

Estudos indicam que o número de dias com ondas de calor no Brasil aumentou significativamente nos últimos 60 anos. Entre 1961 e 1990, registrava-se uma média de sete dias por ano com temperaturas extremas, enquanto no período de 2011 a 2020 esse número subiu para 52 dias. Outra pesquisa recente confirma essa tendência, apontando um crescimento progressivo na quantidade e intensidade das ondas de calor na região central da América do Sul. Em 2023, o Brasil enfrentou nove episódios, seguido de oito em 2024, e já nos dois primeiros meses de 2025, foram contabilizados três eventos, conforme dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

A pesquisadora Renata Libonati, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, destaca que o calor é um desastre frequentemente negligenciado no Brasil e em outras regiões tropicais. Segundo ela, ao contrário de deslizamentos de terra e inundações, que possuem um impacto visual imediato, as ondas de calor não são percebidas como um desastre, apesar de seus efeitos devastadores na saúde pública. Libonati também alerta para a falsa crença de que habitantes de regiões tropicais estão acostumados ao calor e, portanto, imunes a seus efeitos adversos. Ela enfatiza a necessidade de ampliar a conscientização sobre os riscos associados a esse fenômeno.

A Europa começou a tratar o tema com mais seriedade a partir de 2003, quando uma onda de calor causou aproximadamente 70 mil mortes. Desde então, países europeus implementaram protocolos de enfrentamento, adaptações urbanas, medidas preventivas e alertas para a população. Em contrapartida, o Brasil ainda está atrasado na adoção de estratégias de mitigação, mesmo diante do impacto significativo das ondas de calor em termos de mortalidade e internações hospitalares.

Libonati é coautora de um estudo que analisou a relação entre ondas de calor e mortalidade em 14 das principais regiões metropolitanas do Brasil entre 2000 e 2018, abrangendo 35% da população do país. A pesquisa examinou mais de sete milhões de óbitos e identificou as principais causas de morte associadas às altas temperaturas, bem como os grupos mais vulneráveis.

O pesquisador Djacinto dos Santos, primeiro autor do estudo, explica que foram atribuídas aproximadamente 48 mil mortes à exposição prolongada ao calor excessivo nesse período. No entanto, esses óbitos não são oficialmente classificados como relacionados ao calor, pois as mortes geralmente decorrem de doenças cardiovasculares, respiratórias, renais e outras condições preexistentes agravadas pelo calor intenso. O número de mortes associadas às ondas de calor é 20 vezes maior do que o de óbitos causados por deslizamentos de terra no mesmo período.

A subnotificação é um dos grandes desafios quando se trata das ondas de calor como emergência de saúde pública. O sistema de saúde brasileiro possui um código internacional de doença (CID) específico para calor excessivo (X30 – Exposição a calor natural excessivo), mas apenas 50 óbitos foram oficialmente registrados com essa classificação em todo o país.

As consequências das altas temperaturas prolongadas incluem o agravamento de doenças cardiovasculares e respiratórias, além do aumento de casos de câncer de pele, doenças do sistema nervoso e geniturinário, transtornos mentais e metabólicos. Há também um risco maior de nascimentos prematuros. Além disso, a exposição prolongada ao calor pode levar à exaustão térmica, insolação, desidratação e queimaduras. Há ainda uma relação entre calor extremo e aumento da irritabilidade, o que pode resultar em maior incidência de acidentes de trânsito e violência.

Vulnerabilidade socioeconômica

O estudo também revelou que certos grupos populacionais são mais vulneráveis aos impactos das ondas de calor. Mulheres, idosos, pessoas negras e pardas, e aqueles com baixa escolaridade foram os mais afetados. Segundo Libonati, a maior vulnerabilidade desses grupos não se deve a fatores fisiológicos, mas sim a determinantes socioeconômicos.

Djacinto dos Santos destaca que, embora as ondas de calor atinjam todas as regiões do Brasil, seus impactos não são distribuídos de maneira equitativa. A capacidade de adaptação desempenha um papel crucial na proteção contra as temperaturas extremas.

Fatores como acesso a ar-condicionado, infraestrutura urbana adequada, áreas arborizadas e ventilação adequada são determinantes para mitigar os impactos das ondas de calor. Regiões marginalizadas, que possuem menos vegetação e condições precárias de habitação, sofrem mais com as temperaturas elevadas. Além disso, trabalhadores expostos ao ar livre, como garis e operários da construção civil, bem como aqueles que passam longas horas em transportes públicos sem climatização, estão entre os mais vulneráveis.

O reconhecimento das ondas de calor como um desastre climático e a adoção de medidas preventivas são essenciais para minimizar seus impactos na saúde pública e na sociedade como um todo.