Com projetos de Gaguim, Vicentinho, Guimarães e Antônio Andrade, bancada federal do TO pode ter 50% de mudanças em 2026
06 janeiro 2026 às 11h23

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O Tocantins elege oito deputados federais. Hoje, a bancada é formada por Alexandre Guimarães (MDB), Gaguim (União Brasil), Eli Borges (PL), Filipe Martins (PL), Ricardo Ayres (Republicanos), Antônio Andrade (Republicanos), Vicentinho Júnior (PP) e Tiago Dimas (Podemos). Desses oito nomes, ao menos quatro articulam projetos eleitorais fora da Câmara Federal para 2026, o que pode alterar de forma significativa a composição da bancada a partir de 2027.
Um dos casos mais claros é o de Carlos Henrique Gaguim (União Brasil). O deputado trabalha a pré-candidatura ao Senado Federal, em uma eleição que terá duas vagas em disputa. A construção passa pela majoritária liderada pela senadora Dorinha Seabra (União Brasil), que avalia disputar o governo do Tocantins em 2026. Nesse desenho, o outro nome colocado para o Senado é o do senador Eduardo Gomes (PL), que pretende buscar a reeleição.
Alexandre Guimarães, presidente estadual do MDB, também direciona seu projeto para o Senado. O deputado chegou a construir, ao longo de 2024, uma articulação para integrar uma chapa majoritária que poderia ter o presidente da Assembleia Legislativa, Amélio Cayres (Republicanos), como candidato ao governo. Esse cenário, no entanto, perdeu força após o afastamento e o retorno do governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) ao cargo, entre setembro e dezembro do ano passado.
Durante o período de instabilidade, o grupo de Dorinha Seabra teve papel relevante no apoio político ao governador. Desde o retorno, Wanderlei Barbosa tem sinalizado a formação de uma majoritária com a participação do Republicanos, o que, a princípio, abriria espaço apenas para a vaga de vice. Com isso, Alexandre Guimarães mantém o projeto ao Senado, mas ainda precisa construir um caminho próprio dentro do MDB, fora do arranjo liderado por Dorinha e Wanderlei. O deputado tem afirmado que seguirá com a pré-candidatura, enquanto novas alianças entram no radar.
Outro nome que se afasta do projeto de reeleição é Vicentinho Júnior (PP). O deputado, que preside o Progressista no estado, trabalha prioritariamente a possibilidade de disputar o Senado Federal, sem descartar uma candidatura ao governo do estado. Segundo aliados, a permanência na Câmara aparece hoje como a opção menos provável. Vicentinho também enfrenta o desafio de montar uma chapa viável para viabilizar qualquer uma das duas alternativas.
Durante o afastamento de Wanderlei Barbosa, Vicentinho teve participação ativa no período de gestão interna conduzida por Laurez Moreira (PSD) e chegou a ser citado como possível nome ao Senado de uma eventual candidatura majoritária encabeçada pelo vice-governador. Com o retorno do governador, o cenário mudou, e o deputado passou a sustentar publicamente que só não disputará o Senado se decidir concorrer ao Palácio Araguaia.
Já Antônio Andrade (Republicanos) avalia um caminho diferente. O deputado federal considera disputar uma vaga na Assembleia Legislativa, Casa que já presidiu. Pessoas próximas apontam dificuldade de adaptação ao ambiente político de Brasília como um dos fatores que pesam na decisão.
Se esses quatro movimentos se confirmarem, o Tocantins pode renovar metade de sua bancada na Câmara dos Deputados a partir de 2027. O quadro abre espaço para novas candidaturas e amplia a disputa interna nos partidos, em um cenário que ainda depende da consolidação das chapas majoritárias e das alianças estaduais até as convenções.
