Em obra de Palmas lançada por Wanderlei, ausência de Eduardo coloca novo ingrediente nas conversas sobre 2028
02 julho 2026 às 20h02

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“A gente sabe o quanto o poder público está devendo a vocês. Essa obra já deveria ter sido feita em governos anteriores, porque nós temos visto a situação das quadras. Em determinado momento, nós tivemos que ‘chutar o balde’ e dizer: “Olha, eu quero que a prefeitura me licencie essa quadra”. Não era possível encerrar o governo sem lançar essa obra por falta de licença ambiental”, assim o govenador Wanderlei Barbosa (Republicanos) abriu a solenidade de assinatura da ordem de serviço para pavimentação da Quadra 1007 Sul, um evento que produziu um efeito político que vai além da obra.
A ausência do prefeito Eduardo Siqueira Campos (Podemos) passou a ser tema de conversa nos bastidores da política tocantinense, pois, embora seja uma demanda histórica da cidade, com uma intervenção localizada no perímetro urbano de Palmas e dependesse de licenças da prefeitura, a solenidade foi conduzida exclusivamente por Wanderlei Barbosa (Republicanos). O prefeito não participou da agenda e também não foi citado durante os discursos nem no material distribuído pelo Governo do Estado.
O próprio release oficial da gestão estadual apresentou a pavimentação da quadra como resposta a uma demanda histórica de quase 30 anos dos moradores da região. A comunicação destacou o investimento, a assinatura da ordem de serviço pelo governador e os benefícios para a população da capital. O protagonismo assumido pelo estado em uma obra urbana de Palmas acabou alimentando interpretações políticas, sobretudo pela ausência da Prefeitura em um evento realizado dentro da cidade.
O episódio ocorre num momento em que os bastidores da política tocantinense passaram a incluir Wanderlei entre os nomes lembrados para a disputa da Prefeitura de Palmas em 2028. Depois de decidir permanecer no governo até o fim do mandato e desistir da candidatura ao Senado neste ano, aliados avaliam que ele poderá dedicar-se à construção de um projeto político para a capital. Entre eles, há quem considere natural uma candidatura à prefeitura.
Essa possibilidade já começou a aparecer em público. Durante um evento político recente, o deputado federal e pré-candidato ao Senado Carlos Gaguim (União Brasil) lançou o nome de Wanderlei para disputar a Prefeitura de Palmas em 2028. O governador ouviu a manifestação, mas não comentou o assunto.
Dias depois, o Jornal Opção Tocantins perguntou ao prefeito Eduardo Siqueira Campos como recebeu a declaração de Gaguim. Eduardo evitou entrar na discussão e respondeu que a democracia permite que qualquer cidadão coloque seu nome à disposição do eleitorado.
Hoje, Wanderlei e Eduardo dividem o mesmo palanque e apoiam a pré-candidatura da senadora Dorinha Seabra (União Brasil) ao Governo do Tocantins. Apesar da aliança para as eleições deste ano, a sucessão municipal de 2028 pode colocar os dois, de novo, em palanques diferentes, como foi em 2024.
Isoladamente, a agenda desta quinta-feira pode ser interpretada apenas como uma ação do Governo do Estado. Na política, porém, presenças, ausências, discursos e até a forma como uma obra é apresentada costumam ser observados como sinais. A solenidade da Quadra 1007 Sul passou a integrar esse conjunto de movimentos que alimentam as conversas sobre a sucessão em Palmas.
