Por que a suplência de Carlesse pode não ser o destino final em 2026
09 julho 2026 às 15h13

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Quando Mauro Carlesse anunciou, em agosto do ano passado, que pretendia voltar a disputar o Governo do Tocantins, o objetivo era claro. “Quero terminar o trabalho que deixei pela metade”, afirmou em entrevista ao Jornal Opção Tocantins. Pessoas próximas ao ex-governador relatavam que esse continuava sendo seu principal plano e ouviam dele, com frequência, a avaliação de que não perdia para nenhum dos nomes colocados até então para a sucessão estadual.
A filiação ao PSD, porém, exigiu uma mudança de rumo. Carlesse ingressou em um partido que já tinha Laurez Moreira na presidência estadual e como pré-candidato ao Palácio Araguaia. Ao abonar a filiação do ex-governador, o vice-governador também delimitava o espaço político que existia para ele dentro da legenda. O projeto ao governo deixou de ser prioridade e passou a prevalecer a estratégia construída pelo PSD.
Foi nesse contexto que Carlesse percorreu diferentes caminhos dentro da própria legenda. Com garantias que estaria apto perante a justiça para disputar o pleito deste ano, primeiro, apareceu como principal nome para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. Depois, foi lançado como um dos pré-candidatos do PSD ao Senado, ao lado de Irajá Abreu. Com a consolidação da aliança entre PSD e PT e a entrada de Paulo Mourão na chapa majoritária, voltou a mudar de posição e retirou a candidatura para viabilizar o acordo conduzido por Laurez.
Os acontecimentos desta semana alteraram novamente esse cenário. Ao anunciar Carlesse como suplente e lançar Ivanete Lima como outro nome do PSD ao Senado, Irajá abriu uma frente de desgaste dentro do partido ao fazer o movimento sem a participação de Laurez, que afirmou desconhecer a iniciativa. O episódio colocou sob tensão o desenho político construído pelo presidente estadual do PSD.
É justamente nesse ponto que o futuro político de Carlesse ganha outra dimensão. Se Irajá consolidar o controle do partido, o que ele deu a entender que já tem essa prerrogativa ao lançar nomes da majoritária, o acordo firmado por Laurez com o PT tende a perder sustentação e o vice-governador pode ser preterido em meio ao desgaste por falta de força e espaço. Nesse cenário, o ex-governador seria a cartada de Irajá e deixaria de ser apenas suplente de senador para voltar a ocupar o espaço que pretendia antes de ingressar no PSD: o de candidato ao Governo do Tocantins. Não porque tenha mudado de projeto, mas porque o projeto do partido poderá mudar.
Essa possibilidade depende de uma mudança que ainda não ocorreu. Laurez continua presidente do PSD, é o pré-candidato oficial da legenda ao governo e mantém o acordo firmado com o PT. A crise aberta por Irajá, no entanto, mostra que esse desenho deixou de ser incontestável dentro do partido.
Os próximos movimentos dirão se a disputa ficará restrita ao comando do PSD ou se produzirá efeitos sobre a chapa majoritária. Se Laurez mantiver a condução da legenda, Carlesse tende a permanecer na posição que ocupa hoje. Se Irajá alterar a correlação de forças interna, o ex-governador poderá voltar exatamente ao ponto de partida de sua caminhada em 2026: a disputa pelo Palácio Araguaia.
