Se Irajá Abreu recuperar o comando do PSD por meio de uma intervenção da direção nacional, a candidatura de Laurez Moreira ao Governo do Tocantins dificilmente permanecerá pela legenda. Laurez já afirmou que não retirará Paulo Mourão da disputa ao Senado, enquanto Irajá condiciona sua candidatura à saída do petista. Com posições inconciliáveis, uma eventual mudança no comando estadual do partido significaria, na prática, o fim da chapa homologada pelo PSD nesta terça-feira, 4.

A partir daí, o senador teria dois caminhos. O primeiro seria reconstruir o entendimento com o PT, mas em uma composição sem Paulo Mourão como candidato ao Senado. Irajá mantém interlocução com dirigentes petistas no Estado, entre eles o presidente estadual da sigla, Nile William, além da mãe, a ex-senadora Kátia Abreu, coordenadora da campanha do presidente Lula no Tocantins. Ainda assim, uma nova negociação dependeria de o PT rever a candidatura de Paulo Mourão, condição que Laurez recusou durante toda a construção da chapa. Nile já declarou, em outras situações, que a chapa seria Laurez, Paulo e Irajá.

A outra possibilidade seria levar o PSD para a aliança de Vicentinho Júnior. Nesse cenário, Irajá encontraria um grupo que já trabalha a candidatura de Alexandre Guimarães ao Senado, o que exigiria uma nova acomodação política e uma redefinição da estratégia da chapa. Pelo calendário eleitoral, os partidos têm até esta quarta-feira, 5 de agosto, para realizar as convenções e até 15 de agosto para registrar as candidaturas na Justiça Eleitoral. A campanha começa oficialmente em 16 de agosto, mantendo aberta uma curta janela para mudanças políticas e jurídicas caso a direção nacional do PSD decida intervir no comando da legenda no Tocantins.