Dia de Iemanjá entra oficialmente para o Calendário Cultural do Tocantins e ganha celebração em Palmas
03 fevereiro 2026 às 14h45

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No segundo dia de fevereiro, o Dia de Iemanjá é comemorado anualmente por comunidades de matriz africana, manifestação simbólica que tem ganhado reconhecimento no Tocantins. A data é voltada para a celebração e valorização da cultura afro-brasileira e da liberdade religiosa e conta com o projeto Águas de Iemanjá, que ocorre entre os meses de janeiro e fevereiro. Essa manifestação integra o Primeiro Festival Cultural e de Geração de Renda e Festividades do Terceiro Presente de Iemanjá do Estado, iniciativa que reúne ações culturais, oficinas formativas, geração de renda, rodas de diálogo inter-religioso e uma celebração pública nas águas do Rio Tocantins, em Palmas.
A programação de Águas de Iemanjá teve início no dia 21 de janeiro deste ano, data em que o Brasil celebra o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, e continua no dia 21 de fevereiro. O evento ocorre no Terreiro de Candomblé Ilê Odé Oyá, em Palmas, onde serão realizadas oficinas voltadas à valorização dos saberes tradicionais e à geração de trabalho e renda, com atividades de ritmos, cantigas e danças de terreiro, gastronomia afro-brasileira e confecção de roupas tradicionais. Já no dia 22 de fevereiro, o espaço recebe a Roda de Conversa com Sacerdotes e Sacerdotisas, reunindo casas de matriz africana do Tocantins, São Paulo e Goiás.
A culminância do projeto acontece no dia 28 de fevereiro, com o Terceiro Presente de Iemanjá, que reúne fé, cultura e celebração pública. A programação inclui alvorada no terreiro, procissão em carreata até a Praia da Graciosa e uma grande celebração cultural às margens do Rio Tocantins, com rituais, manifestações afro-brasileiras, apresentações culturais e a entrega dos presentes de Iemanjá nas águas do rio.
Para o coordenador geral do projeto e dirigente espiritual do Ilê Odé Oyá, Babalorixá William Vieira de Oliveira, a proposta vai além da celebração religiosa. “O projeto é um gesto coletivo de resistência e afirmação cultural. Celebrar Iemanjá é lutar pelo direito à fé, à memória e à dignidade dos povos de terreiro”, disse.
Reconhecimento
A Festa de Iemanjá passa a integrar oficialmente o Calendário Cultural do Estado do Tocantins a partir de 2026. A inclusão é resultado de análise técnica realizada pela Secretaria de Estado da Cultura ao longo de 2025 e, em cumprimento à legislação específica, a festividade passa a constar oficialmente no calendário a partir deste ano.
Para a sacerdotisa Mãe Cleusa de Oyá, dirigente da Tenda de Umbanda Cabocla Yara e Caboclo Boiadeiro, em Santa Rosa do Tocantins, a celebração representa um marco de resistência e visibilidade dos povos de terreiro. “Celebrar Iemanjá de forma oficial é muito gratificante. Durante muitos anos enfrentamos preconceito e intolerância. Hoje, essa data simboliza a nossa fé, a nossa cultura e o fortalecimento do nosso povo”, frisou.
O presidente do Conselho de Políticas Culturais do Tocantins, Elpídio de Paula Neto, disse que o Dia de Iemanjá está profundamente ligado à identidade cultural do estado. “Os festejos realizados em espaços públicos fortalecem a visibilidade, o respeito e o direito de manifestação da fé dos povos de terreiro, promovendo unidade e diálogo com a sociedade”, também apontou.
Contexto
A celebração do Dia de Iemanjá é feita no dia 2 de fevereiro porque marca o início do ciclo das águas e da abundância em várias culturas tradicionais, tornando-se um dia simbólico para pedidos de proteção, prosperidade e renovação espiritual. A data agora reúne celebrações públicas, rituais, oferendas e expressões artísticas ligadas à cultura afro-brasileira.
Embora o culto a Iemanjá seja ancestral, o reconhecimento institucional da data ocorreu de forma gradual no Brasil, a partir do fortalecimento dos movimentos de valorização da cultura afro-brasileira e da luta pela liberdade religiosa ao longo do século XX. Atualmente, o Dia de Iemanjá é amplamente celebrado em diferentes estados brasileiros e integra calendários culturais oficiais, como ocorre no Tocantins a partir deste ano.
