20 mil cirurgias, 400 leitos e concursos anuais: conheça as principais metas de Dorinha para o Tocantins
11 agosto 2026 às 09h48

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Após o encerramento do período de convenções partidárias e a oficialização das candidaturas para as eleições de 2026, os planos de governo passaram a integrar o debate eleitoral no Tocantins. Entre os documentos apresentados está o programa “Tocantins em Primeiro Lugar”, da candidata Professora Dorinha (União Brasil), que reúne propostas para áreas como saúde, educação, economia, infraestrutura, segurança, meio ambiente e transformação digital, além de políticas específicas para diferentes grupos sociais.
A construção do plano ocorre em meio ao discurso da candidatura de que um eventual governo de Dorinha dará continuidade à gestão do governador Wanderlei Barbosa (Republicanos), mas com uma proposta de renovação. A senadora vem associando seu projeto político às ações realizadas pela atual administração e, ao mesmo tempo, apresenta novas frentes de atuação e metas para os próximos anos.
No caso de Dorinha, o plano tem como eixos municipalismo, inovação e regionalização. O documento parte de um diagnóstico de que o Tocantins apresenta crescimento econômico, mas ainda convive com concentração de riqueza e diferenças entre os municípios. O PIB estadual chegou a R$ 64,3 bilhões em 2023, enquanto sete municípios concentram metade da economia do Estado.
A proposta também identifica como um dos desafios a dependência da comercialização de matérias-primas. O Tocantins produz 9,17 milhões de toneladas de grãos e possui 11,6 milhões de cabeças de gado, mas o plano defende maior processamento desses produtos dentro do próprio Estado, com o objetivo de aumentar a geração de empregos qualificados.
Educação e saúde concentram parte das principais metas
Na educação, área diretamente relacionada à trajetória de Dorinha, o plano prevê apoio aos municípios para aumentar vagas em creches para crianças de 0 a 3 anos e garantir a alfabetização na idade adequada. Também propõe ensino médio em tempo integral e a criação de cursos técnicos relacionados às características econômicas de cada região, como agronegócio, turismo e tecnologia.
No ensino superior, estão previstas a expansão da Universidade Estadual do Tocantins (Unitins), a conclusão dos câmpus de Augustinópolis e Araguatins e medidas de apoio a cursos da área da saúde. O documento ainda propõe a criação de um Observatório Estadual da Educação e de um programa de iniciação científica para alunos do ensino médio.
Na saúde, a regionalização aparece como uma das principais diretrizes. O plano estabelece a meta de colocar em funcionamento 100% do Hospital Geral de Araguaína, com 400 leitos, concluir o Hospital da Mulher, em Palmas, e construir uma nova maternidade em Araguatins.
Também estão previstas 20 mil cirurgias eletivas por ano e a criação de ambulatórios de especialidades por região. A proposta inclui telessaúde em cardiologia, neurologia e obstetrícia e apresenta como medidas específicas a implantação de cirurgia cardíaca pediátrica no HGP e de um serviço de oncologia pediátrica no Estado.
Industrialização
Na economia, o programa “Tocantins Indústria 2045” propõe uma estratégia de neoindustrialização sustentável. A ideia apresentada é expandir o processamento de produtos produzidos no Estado, reduzindo a dependência da exportação de matérias-primas sem beneficiamento.
O plano prevê incentivos fiscais para empresas que processem soja, milho e carne dentro do Tocantins e propõe a criação do “Investe Tocantins”, agência voltada à atração de investimentos nacionais e internacionais.
Também estão previstos um Plano Estadual de Recursos Minerais, com atenção a ouro, fosfato e terras raras, ações relacionadas à bioeconomia e a conclusão do Parque Tecnológico do Tocantins.
Saneamento, logística e digitalização
Na infraestrutura, a proposta estabelece como meta universalizar o saneamento até 2033, com 99% de cobertura de água e 90% de esgoto. O documento prevê apoio aos 119 municípios que ainda não possuem sistema de esgotamento sanitário.
Na logística, a estratégia inclui a integração entre rodovias, Ferrovia Norte-Sul e hidrovias, incluindo o Porto de Praia Norte. O programa “Tocantins Regular” aparece como proposta para acelerar a regularização fundiária urbana e rural.
A conectividade também é tratada como prioridade, com a previsão de banda larga em todas as escolas estaduais.
Na administração pública, a candidatura propõe um portal único de serviços integrando os 139 municípios e a redução de processos físicos. O plano ainda prevê um Portal de Dados Abertos 2.0, com acompanhamento de obras em tempo real, além do cumprimento dos Planos de Cargos, Carreiras e Remunerações dos servidores.
Juventude ganha conjunto próprio de propostas
Um dos pontos que diferenciam o documento é a quantidade de medidas direcionadas à juventude. O plano prevê a criação do Plano Estadual de Juventude e do Observatório Estadual da Juventude, voltados à produção de indicadores e ao acompanhamento de políticas públicas.
Na área profissional, estão previstos programas para o primeiro emprego e inserção produtiva, além do fortalecimento do Jovem Trabalhador.
Para universitários em situação de vulnerabilidade, a proposta inclui Casas do Estudante, alimentação e transporte. No ensino básico, o documento prevê orientação profissional e projetos de vida a partir do 9º ano, além de estímulo ao empreendedorismo e à economia criativa.
Também estão previstos Centros da Juventude, com atividades de formação, cultura, esporte, inovação e cidadania. Na saúde, o plano propõe ações preventivas de saúde mental nas escolas e, na participação social, o fortalecimento de coletivos e organizações lideradas por jovens.
População LGBTQIA+ terá política específica
Outro segmento contemplado diretamente é a população LGBTQIA+. O plano prevê a criação de um centro de referência e serviço estadual de acolhimento específico.
A proposta também estabelece o fortalecimento da Política Estadual da população LGBTQIA+ em parceria com os municípios e determina que o atendimento em saúde considere as diversidades de gênero e orientação sexual, com a busca por um serviço humanizado e equânime.
Indígenas e quilombolas
Para povos indígenas e comunidades quilombolas, o documento distribui propostas por diferentes áreas. Na educação, prevê ensino bilíngue e intercultural, materiais adaptados, formação específica de professores e bolsas para licenciaturas interculturais na UFT.
O plano também prevê garantir ensino fundamental e médio nas comunidades, presencialmente ou com mediação tecnológica, além de banda larga nas escolas de aldeias e quilombos. A valorização da história e das culturas afro-brasileira e indígena também está entre as medidas.
Na saúde, estão previstas capacitações para profissionais, articulação com os DSEIs e redes específicas de proteção às mulheres indígenas e quilombolas. A Caravana da Cidadania e Justiça também deverá, segundo o documento, levar documentação civil e orientação jurídica diretamente a essas comunidades.
O plano ainda apresenta propostas de infraestrutura e desenvolvimento territorial, como a Plataforma Território Vivo, investimentos em água, saneamento, eletrificação, internet e estradas vicinais, além de apoio à regularização fundiária de territórios quilombolas.
Na área econômica e ambiental, aparecem a Escola de Etnodesenvolvimento e o fortalecimento do turismo de base comunitária.
Segurança e meio ambiente
Na segurança pública, a proposta combina ações de prevenção com modernização das forças policiais. O documento prevê concursos anuais para as polícias Militar e Civil, investimentos em tecnologia e inteligência e o programa Territórios de Paz, direcionado aos 20 municípios com maiores índices de letalidade violenta.
Para as mulheres, está prevista a criação da Casa da Mulher Tocantinense na região Norte e a ampliação da rede de proteção contra o feminicídio.
No meio ambiente, o plano prevê Manejo Integrado do Fogo, fortalecimento das brigadas do Naturatins, revitalização de bacias hidrográficas e monitoramento de nascentes. Para a proteção animal, propõe a criação de uma secretaria estadual específica e do programa “Tocantins Amigo do Pet”, com castração e microchipagem gratuitas.
Planejamento a longo prazo
O plano também apresenta uma perspectiva de longo prazo por meio do projeto “Tocantins 2045”. A proposta indica um planejamento que ultrapassa o período de quatro anos de uma gestão.
Segundo o documento, sua elaboração contou com participação da população por meio da plataforma “Tô Na Escuta”. Outra diretriz é fortalecer a relação do Estado com municípios menores, oferecendo apoio técnico para elaboração de projetos e captação de recursos.
