3ª fase da Operação Carbono Oculto tem executivo do Banco Genial e empresário ligado ao Master entre alvos
24 setembro 2026 às 08h37

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A terceira fase da Operação Carbono Oculto foi deflagrada nesta quinta-feira, 24, pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo (MPSP), em conjunto com a Receita Federal. A ação investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro e organização criminosa relacionado ao setor de combustíveis e à aquisição da Tobras Distribuidora de Combustíveis Ltda., conhecida como Terrana.
A operação cumpre mandados de busca e apreensão em sete estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Santa Catarina e Espírito Santo. As ordens foram expedidas pela 2ª Vara Criminal de Catanduva. Também participam da ação a Secretaria da Fazenda de São Paulo, a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) e as polícias Civil e Militar.
Segundo o Gaeco, a investigação identificou uma estrutura financeira e societária que teria sido utilizada para assumir o controle da Terrana e ocultar patrimônio. Entre os mecanismos analisados estão fundos de investimento, empresas constituídas para operações específicas e movimentações financeiras consideradas atípicas pelos investigadores.
Nesta etapa, estão entre os alvos Humberto Arthur Tupinambá Neto, executivo do Banco Genial, e os irmãos André e Bruno Tupinambá. Também é alvo Antonio Carlos Freixo Junior, proprietário da Entre Investimentos e delator no caso relacionado ao Banco Master.
O Ministério Público aponta ainda que a estrutura investigada teria sido comandada por Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como “Beto Louco”, e Mohamad Hussein Mourad, chamado de “Primo”. Os dois são apontados como chefes da organização investigada, mas não estão entre os alvos dos mandados cumpridos nesta fase.
A apuração também envolve executivos do mercado financeiro, apontados pelos investigadores como participantes da estrutura utilizada para movimentar e ocultar recursos. O Gaeco afirma que empresas e fundos teriam sido utilizados para dificultar a identificação dos responsáveis pelos ativos e pela distribuidora.
Como teria funcionado a aquisição da Terrana
De acordo com o Ministério Público, a compra da distribuidora teria sido realizada por meio de fundos e empresas criados especificamente para a operação. Entre as estruturas citadas na investigação estão os fundos Radford, Derby 44 e Los Angeles 01, além das empresas Berna Holdings Ltda. e Branson Holdings Ltda.
Segundo o Gaeco, mais de R$ 120 milhões teriam passado por diferentes empresas e contas utilizadas como intermediárias antes de os recursos chegarem à estrutura responsável pela aquisição da Terrana. Entre as empresas mencionadas estão Aster Petróleo, SM Serviços Empresariais, Duvale Distribuidora e Usina Itajobi.
A investigação utiliza relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), documentos bancários, informações fornecidas pelo Banco Genial, análises de movimentações financeiras e mensagens obtidas em celulares apreendidos em fases anteriores da operação.
Segundo os investigadores, parte das conversas analisadas indicaria o uso de pessoas interpostas, conhecidas como “laranjas”, para dificultar a identificação dos responsáveis pelos ativos e pela distribuidora.
