As mulheres são maioria entre os eleitores do Tocantins, mas ainda estão longe de ocupar o mesmo espaço na disputa eleitoral. Dados do eleitorado e dos registros de candidaturas mostram que, enquanto elas representam 51% dos votantes do Estado, correspondem a apenas 34% dos candidatos registrados para as eleições.

O Tocantins possui 1.182.307 eleitores, sendo 601.991 mulheres e 580.316 homens. Apesar de serem maioria no eleitorado, as mulheres aparecem em menor proporção entre os candidatos: são 121 candidaturas femininas, contra 234 candidaturas masculinas, após a desistência de Deusivete dos Santos, que havia sido contabilizado inicialmente entre os candidatos homens.

Com isso, dos 355 registros de candidaturas considerados, as mulheres representam 34,1%, enquanto os homens correspondem a 65,9%.

A diferença entre a participação feminina no eleitorado e nas candidaturas é de aproximadamente 17 pontos percentuais. Na prática, a cada 100 pessoas aptas a votar no Tocantins, cerca de 51 são mulheres. Já entre os candidatos, apenas 34 a cada 100 são mulheres.

Limitação

O cenário também aparece nas disputas majoritárias. Segundo a jornalista, doutora em Ciências Sociais e pós-doutora em Comunicação pela Universidade Federal de Minas Gerais, Cynthia Mara Miranda, a baixa presença feminina nas eleições reflete desigualdades que ainda limitam a participação das mulheres na política.

Em entrevista ao Jornal Opção Tocantins, a pesquisadora afirmou que o percentual de candidaturas femininas para os cargos proporcionais — que incluem Assembleia Legislativa e Câmara Federal — ficou pouco acima do mínimo estabelecido pela legislação eleitoral.

“Findado o prazo do registro das candidaturas junto ao TRE, mais uma vez constatamos um baixo registro no número de candidaturas femininas tanto para os cargos majoritários quanto para os cargos proporcionais no Tocantins. As candidaturas para os cargos proporcionais chegaram a 34%, porcentagem pouco acima do mínimo de 30% determinado pela lei das cotas de gênero”, afirmou.

Para Cynthia, a participação reduzida das mulheres na política está relacionada a fatores sociais e estruturais, como a divisão desigual das responsabilidades.

“As mulheres ainda estão sobrecarregadas com atividades domésticas, atividades de cuidados não remunerados, atividades profissionais remuneradas, estudos, entre outras responsabilidades”, disse.

Ela também chama atenção para a presença feminina nas disputas pelos principais cargos. “Temos apenas uma mulher candidata ao Senado Federal e apenas uma mulher candidata ao governo do Estado”, destacou.

Segundo a pesquisadora, a reserva mínima de candidaturas prevista na legislação é importante, mas não resolve sozinha a baixa representação feminina nos espaços de poder.

“A lei da cota de gênero é importante, mas por si só não garante aumentar o número de eleitas. Precisamos de outros instrumentos que possam resultar em um aumento real da participação das mulheres nos cargos representativos”, avaliou.

Para Cynthia, ampliar a participação feminina exige mudanças além das regras eleitorais, incluindo políticas públicas voltadas às mulheres e enfrentamento das barreiras dentro dos próprios partidos políticos.