Acidentes de trabalho são mais letais no Tocantins do que no restante do Brasil, aponta levantamento do MTE
29 abril 2026 às 08h16

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O Tocantins lidera o ranking nacional de taxa de letalidade em acidentes de trabalho, com índice de 10,91, o que indica que, proporcionalmente ao total de ocorrências registradas, o estado apresenta o maior número de mortes de trabalhadores no país.
O dado consta em levantamento técnico divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego no Dia Mundial de Segurança e Saúde no Trabalho, nesta terça-feira, 28, com base em registros do INSS e do eSocial, reunindo informações sobre o período de 2016 a 2025. No recorte regional, Tocantins, Mato Grosso e Maranhão aparecem com as maiores taxas de letalidade, enquanto São Paulo concentra o maior volume absoluto de acidentes e mortes, respondendo por mais de um terço dos registros nacionais no período analisado.
Em todo o país, o estudo contabiliza 6,4 milhões de acidentes de trabalho e 27.486 óbitos em dez anos. Apenas em 2025, foram registrados 806.011 acidentes e 3.644 mortes, maior número da série histórica, após a retração observada em 2020. Entre 2020 e 2025, os acidentes aumentaram 65,8% e os óbitos cresceram 60,8%.
Mesmo com o avanço nos números absolutos, a taxa de incidência caiu de 29,39 para 17,94 acidentes por 100 mil trabalhadores ao longo da década. A análise por setores mostra que as atividades de saúde concentram o maior número de acidentes, com destaque para serviços hospitalares e de pronto atendimento, já o transporte rodoviário de cargas registra o maior número de mortes. Entre as ocupações, técnicos de enfermagem têm mais registros de acidentes, enquanto motoristas de caminhão concentram o maior número de óbitos.
O levantamento aponta ainda que os acidentes típicos representam a maior parte dos casos, seguidos pelos acidentes de trajeto e pelas doenças ocupacionais, que tiveram aumento em 2020. A participação feminina chegou a 34,2% do total de registros ao longo da série.
Os dados indicam também que, em dez anos, foram contabilizados mais de 106 milhões de dias de trabalho perdidos e cerca de 249 milhões de dias debitados em razão de acidentes.
