Agência rebaixa nota do BRB, aponta risco de calote e expõe fragilidade financeira do banco
03 abril 2026 às 08h13

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A agência de classificação de risco Moody’s rebaixou a nota de crédito do Banco de Brasília (BRB), banco dos servidores estaduais do Tocantins, e colocou a instituição em nível considerado de alto risco, com possibilidade de “default”, termo usado no mercado para indicar risco de calote. A decisão, divulgada na quarta-feira, 1º, reflete uma deterioração das condições financeiras do banco e levanta dúvidas sobre sua capacidade de honrar compromissos sem um reforço urgente de capital.
Os ratings do BRB foram rebaixados de BBB-.br para CCC+.br, patamar que indica crédito muito fraco em comparação a outras instituições nacionais. Em relatório, a Moody’s afirma que o banco está “provavelmente perto de default” caso não haja aporte financeiro.
O próprio BRB reconheceu que o plano de recomposição de capital, conduzido pelo Governo do Distrito Federal, só deve ser concluído até o fim de maio. Em nota, a instituição classificou o momento como “transitório”, atribuindo o rebaixamento ao processo em andamento de capitalização e à atualização das demonstrações financeiras.
Entre as medidas em estudo para tentar recuperar o banco estão:
- pedido de empréstimo de R$ 4 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC);
- emissão de novas ações, com potencial de captação de até R$ 8,8 bilhões, a ser discutida em assembleia marcada para o dia 22;
- criação de fundo imobiliário com ativos públicos;
- venda e securitização de ativos do banco;
- ações judiciais para recuperar valores ligados ao Banco Master;
- possível apoio de instituições federais, como Caixa e Banco do Brasil.
Até o momento, nenhuma dessas iniciativas foi efetivamente concluída ou lançada no mercado.
Estimativas apontam que o rombo patrimonial do BRB pode ultrapassar R$ 8 bilhões.
Falta de transparência e atraso no balanço pesaram na decisão
Outro fator decisivo para o rebaixamento foi o descumprimento do prazo legal para divulgação do balanço financeiro de 2025, encerrado na terça-feira, 31 de março de 2026. O banco informou que adiou a publicação devido à necessidade de concluir uma auditoria forense relacionada à operação “Compliance Zero” e avaliar seus impactos.
Para a Moody’s, a ausência dessas informações amplia as incertezas sobre a real situação financeira do banco, além de comprometer a confiança do mercado e aumentar o risco reputacional da instituição.
O relatório também aponta fragilidades na governança corporativa do BRB e destaca a dificuldade do governo do DF em levantar recursos na proporção necessária para socorrer o banco.
Crise com Banco Master e ação no STF
A crise do BRB está diretamente ligada às operações com o Banco Master, que resultaram em dificuldades para recuperar cerca de R$ 16,7 bilhões investidos. Em meio a esse cenário, o banco acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar garantir a reserva de recursos que possam ser recuperados no âmbito das investigações.
O pedido foi encaminhado ao ministro André Mendonça, relator do caso, e tem caráter preventivo. A instituição busca assegurar que eventuais valores recuperados, inclusive por meio de acordos de delação premiada, sejam destinados à recomposição de prejuízos.
Segundo o banco, a medida visa “resguardar o direito à eventual recomposição integral de danos”, embora ainda não haja definição sobre valores a serem recuperados.
A Moody’s alerta que um eventual calote do BRB pode gerar sérios danos de imagem ao governo do Distrito Federal, controlador da instituição. A combinação de fragilidade financeira, falta de transparência e incertezas sobre a recuperação de ativos coloca o banco em uma situação delicada, com repercussões que vão além do sistema financeiro e atingem diretamente a gestão pública local.
