Os alertas de desmatamento apresentaram queda nos dois principais biomas brasileiros em abril de 2026, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Apesar da redução registrada nacionalmente, o Tocantins aparece como o estado com maior área sob alerta de devastação no Cerrado nos quatro primeiros meses do ano.

De acordo com o sistema Deter, utilizado pelo Inpe para monitoramento em tempo real, o Cerrado perdeu 418 km² de vegetação nativa em abril, uma redução de 40% em comparação com o mesmo período de 2025, quando haviam sido registrados 691 km².

Na Amazônia Legal, a queda foi menor, mas também significativa. O bioma teve 228 km² sob alerta de desmatamento em abril deste ano, contra 270 km² no mesmo mês do ano passado, representando redução de 15%.

Apesar do recuo recente, o acumulado do ano ainda preocupa ambientalistas e órgãos de fiscalização. Entre janeiro e abril, o Tocantins concentrou 568 km² de áreas sob alerta de desmate no cerrado, liderando o ranking nacional do bioma. Na sequência aparecem Maranhão, com 370 km², e Bahia, com 225 km².

Os dados reforçam o avanço da pressão ambiental sobre o Matopiba, região formada por áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, considerada uma das principais fronteiras de expansão agrícola do país.

Especialistas destacam que o primeiro semestre costuma apresentar índices menores de desmatamento devido ao período chuvoso, que dificulta operações de derrubada e reduz a visibilidade dos satélites em razão da cobertura de nuvens. Historicamente, os meses mais críticos para devastação ambiental ocorrem entre maio e setembro, durante a estiagem.

Mesmo assim, os números divulgados pelo Inpe indicam uma tendência de desaceleração observada desde 2023, quando Marina Silva reassumiu o Ministério do Meio Ambiente. Na Amazônia, o acumulado de janeiro a abril de 2026 foi o segundo menor da série histórica para o período. No Cerrado, foi o quarto menor índice desde o início do monitoramento sistemático.

Outro fator que preocupa pesquisadores e órgãos ambientais é a previsão de retorno do fenômeno El Niño ainda neste primeiro semestre. A expectativa é de um evento climático de intensidade moderada a forte, capaz de ampliar períodos de seca nas regiões Norte e Nordeste, aumentando o risco de queimadas e novos desmatamentos.

O desmatamento segue como principal fonte de emissão de gases de efeito estufa no Brasil. Dados do Sistema de Estimativa de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (Seeg) apontam que, em 2024, a devastação vegetal respondeu por 42% das emissões de carbono do país.

A redução do desmate é considerada estratégica para o cumprimento das metas climáticas assumidas pelo Brasil no Acordo de Paris e para a preparação do país para a COP30, conferência climática da ONU que será realizada em Belém, no Pará, em 2026.