Após denúncia de execução, PM diz não compactuar com desvios e associação pede cautela em “julgamentos precipitados”
15 abril 2026 às 16h52

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A Polícia Militar do Tocantins (PMTO) e a Associação das Praças e Servidores Militares do Estado reagiram à denúncia apresentada pelo Ministério Público, nesta segunda-feira, 13, contra dois policiais acusados de executar um homem na rodovia TO-181, entre Sandolândia e Araguaçu.
De acordo com o Ministério Público, os policiais Cláudio Roberto Nunes Gomes e Devany Gomes dos Santos foram denunciados por homicídio qualificado e fraude processual, sob acusação de terem executado Jefferson Lima Borges, na madrugada de 21 de setembro de 2025. A motivação, segundo a denúncia, estaria ligada ao fato de a vítima ter relatado supostos abusos policiais à própria instituição.
Em nota, a corporação informou que acompanha o caso, destacou que os envolvidos permanecem presos por decisão judicial e reforçou que não compactua com desvios de conduta. Já a associação classificou a denúncia como grave, defendeu apuração isenta e pediu que sejam respeitados o contraditório e a ampla defesa.
Segundo a PM, a prisão temporária dos policiais foi convertida em preventiva por determinação do Poder Judiciário, e ambos seguem custodiados na sede do 4º Batalhão, em Gurupi, à disposição da Justiça. A corporação afirmou ainda que a investigação criminal está em andamento e que eventuais medidas administrativas serão adotadas conforme os desdobramentos do caso.
Já a Associação das Praças e Servidores Militares do Tocantins (ASPRA/TO) afirmou que acompanha os desdobramentos e ressaltou que os fatos devem ser apurados pelos órgãos competentes, especialmente pelo Judiciário, com garantia do devido processo legal.
A entidade destacou que assegura assistência e defesa jurídica aos associados, conforme suas atribuições estatutárias, e reforçou a necessidade de cautela. “A associação entende que a denúncia é grave e reforça a importância da transparência e de uma apuração rigorosa, mas também destaca a relevância de se evitar julgamentos precipitados”, informou.
O caso aguarda decisão da Justiça sobre o recebimento da denúncia.
Entenda o caso
A acusação aponta que a vítima foi monitorada durante uma festa em Sandolândia e, ao deixar o local de motocicleta, passou a ser perseguida pelos policiais, que estavam em uma caminhonete. Jefferson foi atingido por disparos de arma de fogo e morreu ainda no local.
As investigações indicam que ao menos oito tiros foram efetuados, sendo três deles fatais. Parte dos disparos, conforme o Ministério Público, teria sido feita com uma pistola calibre .40 pertencente à própria Polícia Militar.
A motivação do crime, de acordo com os promotores, seria o fato de Jefferson ter denunciado supostos abusos, ameaças e perseguições atribuídas a policiais militares da região. Para o MP, os acusados agiram para silenciar a vítima e evitar o avanço de investigações internas.
Além do homicídio qualificado, os policiais também foram denunciados por fraude processual. A acusação sustenta que houve tentativa de atrapalhar as investigações, incluindo o registro falso de extravio da arma utilizada no crime, buscas na internet sobre rastreamento de celular e a formatação de aparelho telefônico que poderia conter provas.
O Ministério Público pediu que os acusados sejam levados a julgamento pelo Tribunal do Júri e solicitou indenização mínima de R$ 500 mil para cada um, a ser paga à família da vítima.
O caso ainda aguarda decisão da Justiça sobre o recebimento da denúncia e o andamento da ação penal.
