A Polícia Federal não esclareceu por que o foragido Waldecir José de Lima Júnior, suspeito de matar o vigilante Dhemis Augusto Santos, 35 anos, em uma galaria de Palmas, continuava com registro ativo de Colecionador, Atirador e Caçador (CAC), apesar de situações que, em tese, poderiam barrar a concessão ou manutenção do certificado. Mesmo após questionamentos formais enviados pelo Jornal Opção Tocantins, a instituição limitou-se a afirmar que informações pessoais são restritas e não podem ser divulgadas.

A PF não respondeu sobre como Waldecir passou no exame psicotécnico exigido para CAC, se a defesa afirma que ele fazia uso de medicação controlada e estava em “surto psicótico” no dia do crime; por que ele manteve o registro mesmo tendo respondido em 2013 por porte ilegal de arma, episódio que poderia impactar a análise de idoneidade.

Defesa diz que ato de 2011 não gerou condenação e que laudos serão apresentados ao processo

O Ministério Público do Tocantins denunciou Waldecir José de Lima Júnior por porte ilegal de arma após ele ser flagrado, em 2011, com um revólver calibre 32 desmuniciado em um comércio de Palmas. Ele alegou que estava apenas transportando a arma de uma chácara para sua casa para evitar que terceiros a encontrassem.

A Justiça de 1ª instância o absolveu por entender que o porte foi “fortuito” e sem intenção criminosa. O MP recorreu, e a 1ª Câmara Criminal do TJTO reformou a decisão, afirmando que portar arma sem licença é crime independentemente de dolo ou de estar carregada.

Waldecir foi condenado a 2 anos de reclusão em regime aberto, pena que foi convertida em prestação de serviços comunitários e multa por ser réu primário e o delito não envolver violência. Ele cumpriu 749 horas de serviço e pagou a multa, tendo o processo sido encerrado definitivamente em julho de 2018.

No entanto, para o advogado Zenil Drumond, que representa a família, afirma que Waldecir não foi condenado pelo porte ilegal. Segundo ele, houve suspensão condicional do processo, o que, após cinco anos, extinguiu a punibilidade e manteve o réu como tecnicamente primário.

Sobre a alegação de problemas psicológicos, o advogado diz que laudos médicos e exames serão entregues nos autos, mas não antecipou qualquer documentação. Drumond reforçou que, ao contrário do que circula nas redes sociais, a defesa não tem contato direto com o foragido: “A defesa não sabe do paradeiro de Waldecir. Nosso contato é apenas com a família. Estamos colaborando com as investigações”, afirmou o advogado.

Questionado se Waldecir estaria prestes a se entregar, o advogado não respondeu.

Arma usada no crime foi entregue à Polícia Civil

Nesta quarta-feira, 3, a 1ª Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) confirmou a apreensão da pistola utilizada no assassinato. A arma foi entregue pela defesa no mesmo endereço onde a Polícia Civil havia localizado, no domingo, as munições e o veículo usados na fuga. O material foi recolhido pelo delegado Israel Andrade e encaminhado para a perícia. Waldecir segue foragido.

Tocantins tem 7,7 mil CACs ativos

Dados obtidos pelo Jornal Opção Tocantins mostram que o Estado contabiliza 7.723 registros de CACs ativos em 2025. Só neste ano, 804 novos certificados foram emitidos pela PF — número que voltou a crescer após a queda brusca em 2023, com o endurecimento das regras do decreto do governo Lula.

Mesmo após a migração da fiscalização do Exército para a Polícia Federal, a PF não detalhou como é feita a checagem de antecedentes, nem se o episódio de 2013 envolvendo Waldecir foi considerado no processo de concessão do certificado.