Primeiro suplente de Alexandre Guimarães (MDB) na disputa pelo Senado no Tocantins, o advogado Igor Danin Tokarski mudou o nome apresentado ao eleitor em relação às duas eleições anteriores que disputou. Alexandre, deputado federal e candidato ao Senado na chapa que apoia Vicentinho Júnior (PSDB) ao governo, tem Igor como primeiro nome na linha de suplência. Candidato a deputado federal em 2014 e a deputado distrital em 2018, ambos pelo Distrito Federal, Igor apareceu nas urnas como Igor Tokarski. Em 2026, oito anos depois de ter a casa alvo de busca e apreensão em um desdobramento da Operação Praia de Goa, da Polícia Civil do Distrito Federal, registrou a candidatura como Igor Danin.

Os registros da Justiça Eleitoral confirmam tratar-se da mesma pessoa. O nome completo nas três eleições é Igor Danin Tokarski. Em 2014, concorreu a deputado federal pelo PSB com o número 4030 e o nome de urna Igor Tokarski. Quatro anos depois, disputou uma cadeira de deputado distrital, também pelo PSB, como Igor Tokarski, número 40300, e recebeu 7.453 votos. Em 2026, já filiado ao MDB e no Tocantins, consta como primeiro suplente de Alexandre Guimarães, mas com o nome de urna Igor Danin.

A mudança ocorre na primeira candidatura localizada pela reportagem desde a operação policial de 2018. Não há, nos registros consultados, informação que relacione formalmente a escolha do novo nome de urna à investigação. A sequência dos registros eleitorais, no entanto, mostra que “Tokarski”, usado nas duas campanhas anteriores, deixou de ser apresentado ao eleitor na candidatura atual.

Busca ocorreu após primeira fase da operação

A Operação Praia de Goa foi deflagrada em 18 de setembro de 2018 pela Polícia Civil do Distrito Federal para investigar suspeitas de irregularidades relacionadas à R2 Produções, responsável por eventos como o Na Praia. A apuração tratava da utilização de benefícios da Lei de Incentivo à Cultura e investigava suspeitas de organização criminosa, lavagem de dinheiro e estelionato contra a administração pública.

Na primeira fase, policiais cumpriram 15 mandados de busca e apreensão em quatro órgãos públicos, duas empresas e nove residências. Entre os órgãos estavam as secretarias de Cultura e Esportes e as administrações regionais de Brasília e do Lago Norte. Naquele momento, a Polícia Civil informou que a fase não investigava servidores públicos, mas afirmou que apuraria eventual participação de agentes do estado.

Cerca de um mês depois, a investigação chegou à residência de Tokarski. Em 17 de outubro de 2018, policiais cumpriram mandado de busca e apreensão na casa do então ex-administrador do Plano Piloto. A medida foi tratada pela Polícia Civil como desdobramento da Praia de Goa. A investigação havia começado em 2016 e era conduzida pela divisão especializada no combate à corrupção e aos crimes contra a administração pública, com acompanhamento do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios.

Tokarski havia ocupado diferentes postos no governo de Rodrigo Rollemberg (PSB). Além da Administração Regional do Plano Piloto, passou pela área de Relações Institucionais e chegou à Secretaria de Meio Ambiente antes de disputar a eleição de 2018. Naquele ano, sua candidatura também recebeu R$ 30 mil de Rafael de Araújo Damas, um dos donos da R2 Produções, segundo a prestação de contas eleitoral citada à época. O valor correspondia a 11,06% dos R$ 271,2 mil recebidos pela campanha até então e havia sido doado cinco dias antes da primeira fase da operação.

Procurado naquele período, Tokarski disse estar “perplexo” com a busca e atribuiu o episódio a desinformação ou mal-entendido durante a disputa eleitoral. Também afirmou que havia atuado com lisura como agente público e que tinha interesse em colaborar com as autoridades. Sobre a contribuição eleitoral, disse que sua campanha não recebeu recursos públicos e que as doações de familiares e amigos foram declaradas à Justiça Eleitoral. A R2, por sua vez, defendia a legalidade de suas atividades.

De Brasília ao Tocantins

Oito anos depois, Igor Danin Tokarski volta a uma eleição, agora em outro estado, por outro partido e para outra função. Deixou o PSB, pelo qual disputou as eleições de 2014 e 2018 no Distrito Federal, e aparece filiado ao MDB no Tocantins. O registro de 2026 informa que ele é advogado, nasceu em Goiânia e tem 43 anos.

Na chapa de Alexandre Guimarães, Igor é o primeiro suplente, enquanto Thiago Simas ocupa a segunda suplência. Pela Constituição, os dois suplentes são eleitos junto com o senador e podem assumir o mandato nas hipóteses previstas para afastamento ou vacância do titular.

A documentação eleitoral preservou Tokarski no nome civil, mas não no nome escolhido para aparecer na urna. O registro oficial identifica o candidato como Igor Danin Tokarski, enquanto o campo destinado ao nome de urna traz apenas Igor Danin.

Patrimônio declarado sobe para R$ 907 mil

Além da mudança no nome de urna, os registros eleitorais mostram uma diferença expressiva no patrimônio declarado por Igor Danin Tokarski entre suas duas últimas candidaturas. Em 2018, quando concorreu a deputado distrital no Distrito Federal como Igor Tokarski, informou à Justiça Eleitoral bens de R$ 48.254,46. Em 2026, como primeiro suplente de Alexandre Guimarães no Tocantins, declarou R$ 907.613,91.

A diferença nominal é de R$ 859.359,45, equivalente a um aumento de 1.780,9% em oito anos. O patrimônio informado atualmente corresponde a quase 19 vezes o declarado na eleição de 2018. A trajetória, porém, não foi linear: em 2014, Tokarski havia declarado R$ 248.895,66, valor que caiu para R$ 48,2 mil quatro anos depois e chegou aos atuais R$ 907,6 mil.

Os valores correspondem às declarações apresentadas pelo próprio candidato à Justiça Eleitoral em cada eleição.

Campanha diz que investigação foi arquivada

Procurada pela reportagem, a campanha de Alexandre Guimarães afirmou que já tinha conhecimento da busca e apreensão de 2018 quando Igor Danin Tokarski foi escolhido para ocupar a primeira suplência. Segundo a equipe do candidato, o episódio teve como desfecho o arquivamento da investigação por ausência de justa causa e Igor não chegou a ser indiciado.

A campanha afirmou ainda que a apuração ocorreu durante o período eleitoral e atribuiu o episódio a uma “perseguição política” promovida por adversários daquele pleito. Segundo a resposta enviada à reportagem, o Ministério Público não teria identificado elementos mínimos para propor ação e a Justiça posteriormente teria homologado o arquivamento. A equipe informou que a decisão judicial é pública.

Sobre a escolha de Igor para a chapa, a campanha disse que foram considerados a trajetória profissional e pública do advogado, sua experiência administrativa e política e a relação de confiança mantida há anos com Alexandre. Também citou a atuação de Igor na formulação de políticas públicas, acompanhamento legislativo e regulatório e em temas relacionados à industrialização da agricultura.

Questionada especificamente sobre a retirada de “Tokarski” do nome de urna, a campanha afirmou que a alteração não tem relação com a operação policial. Segundo a resposta, Igor escolheu usar “Danin”, sobrenome materno, como homenagem à mãe. “Seu nome civil não foi alterado e permanece integralmente informado à Justiça Eleitoral”, afirmou a equipe de Alexandre.