Área ligada à bp bioenergy teve 692 hectares desmatados sem autorização comprovada no Tocantins
21 outubro 2026 às 11h58

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Uma área destinada à expansão de atividades agroindustriais ligadas à bp bioenergy, em Pedro Afonso, teve 692,32 hectares de vegetação nativa desmatados sem autorização comprovada entre 2008 e 2026. A informação apurada pelo Jornal Opção Tocantins consta do Relatório de Vistoria nº 117/2026, elaborado por técnicos do Ministério Público do Tocantins a partir de imagens de satélite, documentos ambientais e inspeção realizada em setembro.
A área integra a Fazenda Gorgulho, onde a Pedro Afonso Bioenergia Ltda. desenvolve um projeto de expansão agroindustrial. Segundo o levantamento, 578,19 hectares foram desmatados depois de 17 de abril de 2024, quando venceu uma das autorizações de exploração florestal. Outros 114,13 hectares tiveram a vegetação retirada entre 2011 e 2012, sem que os técnicos localizassem a autorização correspondente.
O relatório identificou a supressão de 4.822,63 hectares de vegetação nativa na propriedade entre 2008 e 2026. No mesmo período, o Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins) concedeu autorizações para 4.476,05 hectares. A equipe técnica também encontrou inconsistências nos processos administrativos utilizados para permitir a retirada da vegetação.
A vistoria constatou intervenções em áreas de preservação permanente, inclusive na margem do rio Tocantins, onde foi instalado um sistema de captação de água. Nesse ponto, os técnicos identificaram a retirada de aproximadamente um hectare de vegetação e processos erosivos ativos, sem localizar autorização específica para a intervenção.
Também foram identificadas alterações em áreas de nascentes e cursos d’água. O levantamento, porém, registra que aproximadamente 99% das áreas de preservação permanente da fazenda mantêm cobertura vegetal nativa e que não foi constatado déficit de reserva legal.
Diante das irregularidades apontadas, a equipe recomendou ao Naturatins o embargo dos 578,19 hectares desmatados sem autorização identificada, a apuração da supressão anterior de 114,13 hectares e a adoção das medidas administrativas cabíveis. O relatório também recomenda a recuperação das áreas degradadas e a reparação dos danos ambientais.
As conclusões integram um procedimento extrajudicial conduzido pela Promotoria Regional Ambiental da Bacia do Alto e Médio Tocantins. O documento apresenta recomendações técnicas e não equivale a uma decisão judicial definitiva sobre a responsabilidade pelos danos.
