O nome do senador tocantinense Irajá Abreu, filho da ex-senadora Kátia Abreu, apareceu entre os arquivos extraídos do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, investigado pela Polícia Federal por suspeitas de fraudes envolvendo o Banco Master. O registro surgiu em meio à controvérsia sobre supostas mensagens enviadas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, que nega ter recebido qualquer contato do empresário.

A discussão envolve imagens encontradas pela Polícia Federal nos celulares de Vorcaro durante a Operação Compliance Zero. Os aparelhos foram apreendidos na investigação que apura irregularidades financeiras relacionadas ao banco e possíveis ligações com fraudes em empréstimos consignados de aposentados e pensionistas do INSS.

De acordo com o material analisado, Vorcaro utilizava um método específico para enviar mensagens consideradas sensíveis. Em vez de escrever diretamente no aplicativo de conversa, ele digitava o conteúdo no bloco de notas do celular, fazia uma captura de tela (print) e enviava a imagem pelo WhatsApp utilizando o recurso de “visualização única”, que impede que a mensagem permaneça armazenada na conversa após ser aberta.

Mesmo assim, as capturas de tela ficam automaticamente salvas na galeria do celular. Foi justamente esse detalhe que permitiu aos investigadores identificar os registros.

Segundo os arquivos apreendidos, os horários dessas capturas coincidem com o momento em que Vorcaro teria enviado as mensagens pelo aplicativo. Uma delas foi registrada às 17h26 de 17 de novembro de 2025, poucas horas antes de o banqueiro ser preso pela primeira vez pela Polícia Federal.

No texto, o empresário pergunta: “Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”, em referência a possíveis informações sobre a investigação.

Onde entra o senador Irajá

A imagem dessa mensagem aparece em duas pastas diferentes dentro do material digital enviado pela Polícia Federal à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga fraudes no INSS.

Em uma dessas pastas, o arquivo da mensagem está junto ao cartão de contato do senador Irajá. Já em outra pasta, a mesma imagem aparece associada ao cartão de contato da advogada Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes. Com base nessa organização dos arquivos, Moraes sugeriu publicamente que a presença da imagem ao lado do contato de Irajá poderia indicar que a mensagem teria sido destinada ao senador, e não a ele.

Pasta no acervo de dados que a PF enviou para a CPI do INSS com o nome da esposa de Moraes | Fonte: Poder 360°

Senador nega contato

O senador tocantinense negou qualquer relação com as mensagens atribuídas a Vorcaro. Em nota divulgada à imprensa, Irajá afirmou que não recebeu qualquer mensagem do banqueiro.

Segundo ele, o fato de seu contato eventualmente constar na agenda do empresário não comprova comunicação entre ambos.

“A informação de que Daniel Vorcaro teria enviado qualquer mensagem ao senador Irajá é completamente inverídica. O fato de o senador eventualmente constar na lista de contatos de Daniel Vorcaro não significa absolutamente nada”, afirmou.

A Secretaria de Comunicação do Supremo divulgou uma nota em nome do gabinete de Alexandre de Moraes afirmando que uma análise técnica dos dados telemáticos indicou que as mensagens encontradas não correspondem aos contatos do ministro: No conteúdo extraído do celular do executivo pelos investigadores, os prints dessas mensagens enviadas por Vorcaro estão vinculadas a pastas de outras pessoas de sua lista de contatos e não constam como direcionadas ao ministro Alexandre de Moraes. A mensagem e o respectivo contato estão na mesma pasta do computador de quem fez os prints (Vorcaro). Ou seja, fica demonstrado que as mensagens (prints) estão vinculadas a outros contatos telefônicos no computador de Daniel Vorcaro, jamais ao Ministro Alexandre de Moraes, completa a nota.

De acordo com o comunicado, os prints estavam vinculados a pastas de outras pessoas da lista de contatos de Vorcaro e não aparecem como direcionados a Moraes nos arquivos extraídos do celular. Os nomes desses contatos não foram divulgados pelo STF, sob a justificativa de sigilo determinado no inquérito conduzido pelo ministro André Mendonça, relator da investigação sobre o Banco Master.

A interpretação, porém, é contestada por análises feitas a partir do próprio material entregue à CPMI. Nos cerca de 700 MB de arquivos extraídos dos celulares do banqueiro, os contatos telefônicos aparecem distribuídos em diversas pastas, aparentemente sem relação direta com os demais documentos armazenados.

Isso significa que a presença de um contato na mesma pasta que um arquivo não necessariamente indica que aquela pessoa seja destinatária da mensagem.

Investigação sobre vazamentos

Outro desdobramento do caso envolve o vazamento do material sigiloso. Os dados apreendidos pela Polícia Federal foram compartilhados com a CPMI do INSS e posteriormente divulgados para veículos de imprensa. Diante disso, o ministro André Mendonça autorizou a abertura de um inquérito para investigar a divulgação das informações.

Até o momento, não há investigação formal contra Alexandre de Moraes relacionada ao episódio. No entanto, o caso segue gerando repercussão política e jurídica, principalmente pela presença do contato do senador tocantinense nos arquivos analisados pela CPMI.

Com informações do Poder 360°