A campanha de Ataídes Oliveira (Novo) ao Governo do Tocantins tem nas redes sociais uma de suas principais apostas para tentar aumentar a exposição do ex-senador e reduzir a distância para os candidatos que aparecem à frente nas pesquisas. Vídeos curtos, falas diretas e cobranças sobre o histórico dos adversários formam uma estratégia semelhante, na linguagem e no formato, à que deu projeção a Pablo Marçal na disputa pela Prefeitura de São Paulo em 2024. Naquela eleição, os chamados “cortes” de entrevistas, debates e outros eventos foram replicados em larga escala no TikTok, Instagram e YouTube e se tornaram um dos pilares da comunicação de Marçal.

Ataídes tem explorado uma lógica parecida ao procurar produzir momentos que possam sobreviver ao evento que lhes deu origem. No primeiro debate da campanha tocantinense, na terça-feira, 18, escolheu Vicentinho Júnior (PSDB) para o confronto direto e levou ao programa questionamentos sobre a Operação Overclean, movimentações financeiras atribuídas a uma empresa ligada à mulher do deputado e a formação acadêmica do adversário. O episódio forneceu material de forte apelo para vídeos curtos nas redes. Antes mesmo da campanha oficial, Ataídes já utilizava suas plataformas digitais para criticar adversários e associar sua candidatura ao discurso de fiscalização do histórico dos concorrentes.

A semelhança com Marçal está menos no conteúdo político e mais na forma de disputar atenção. Em São Paulo, o então candidato do PRTB compensou a ausência de tempo na propaganda eleitoral de televisão com uma estrutura voltada à multiplicação de vídeos curtos e chegou a 1,7 milhão de votos, ficando a cerca de 57 mil votos do segundo turno. A campanha estimulava a reprodução de trechos com potencial de viralização e chegou a manter competições para produtores de cortes, prática que também provocou questionamentos na Justiça Eleitoral. Não há, até aqui, indicação de que Ataídes utilize esse sistema de remuneração ou distribuição organizada. O ponto comum é transformar entrevistas, declarações e confrontos em matéria-prima para circulação posterior nas redes.

Para Ataídes, a escolha também responde à posição que ocupa na disputa. Enquanto Dorinha Seabra (União Brasil) e Vicentinho começaram a campanha entre os nomes mais bem colocados nos levantamentos recentes, o candidato do Novo precisa aumentar conhecimento e presença no debate eleitoral. A estratégia de cobrar explicações dos concorrentes permite que Ataídes tente disputar atenção com candidatos que partem de maior exposição política. O teste será saber até que ponto os cortes conseguem ultrapassar o público já interessado em política e transformar alcance digital em crescimento eleitoral — justamente a fronteira que a campanha de Marçal mostrou ser possível aproximar, mas não necessariamente atravessar.